Professor, filósofo, poeta e cineasta, Jomard Muniz de Britto morreu nesta segunda-feira (12), aos 89 anos. Ele estava internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de um hospital particular do Recife. O artista enfrentava um quadro grave de infecção respiratória nos pulmões.
Nascido em Pernambuco, Jomard Muniz de Britto teve atuação importante na renovação cultural brasileira, especialmente a partir da segunda metade dos anos 1960. Foi um dos autores do Manifesto Tropicalista de 1968, ligado à difusão do movimento em Pernambuco, e se tornou uma das figuras associadas à produção audiovisual experimental do estado.
A Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe) lamentou a morte do artista: “Figura inquieta e transgressora, Jomard construiu uma obra marcada pela experimentação, pela liberdade criativa e pelo questionamento das convenções”.
Nas décadas de 1970 e 1980, integrou a chamada Geração Super-8, que explorou as possibilidades criativas do formato de película de 8 milímetros e contribuiu para a expansão do cinema independente no Brasil. Entre seus trabalhos mais conhecidos estão O Palhaço Degolado e Inventário de um Feudalismo Cultural, obras que questionam convenções estéticas e referências tradicionais da cultura regional.
Jomard morreu às 3h30 no Hospital Unimed, no bairro da Ilha do Leite, na área central do Recife, após ter uma infecção generalizada nos pulmões. O velório aconteceu ainda nesta segunda-feira, no Cemitério de Santo Amaro, no Centro da capital pernambucana, e o enterro foi às 16h no mesmo local, segundo noticiou o portal G1.
Jomard Muniz de Britto também atuou como professor na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e na Universidade Federal da Paraíba (UFPB), mas foi destituído dos cargos devido à censura do regime militar.
Ele também foi escolhido secretário de Cultura da Prefeitura do Recife, escolhido por meio de uma eleição direta em 1985 realizada entre representantes e participantes da vida cultural da cidade. A Secretaria de Cultura e da Fundação de Cultura Cidade do Recife também exaltou a importância do cineasta em uma nota de pesar.
Ao longo de mais de quatro décadas de atuação cultural, Jomard escreveu livros e realizou filmes, a maioria deles curtas-metragens, incluindo:
“Recinfernália”;
“Esperando João”;
“O Palhaço Degolado”;
“Inventário de um Feudalismo Cultural”;
“Escrevivendo”;
“Arrecifes do Desejo”.
