Se alguém ainda trata a escolha de vice como um detalhe de campanha, a própria realidade política da Paraíba se encarrega de desmentir essa tese. Hoje, os dois principais postos de poder do estado estão nas mãos de ex-vices que assumiram o protagonismo: Lucas Ribeiro, que era vice-governador, virou governador; e Léo Bezerra, ex-vice-prefeito, hoje comanda a Prefeitura de João Pessoa.
O dado não é apenas curioso – ele é revelador. Mostra, na prática, que o vice deixou de ser um nome figurativo para se transformar em peça central no jogo político. Em muitos casos, é o vice quem acaba herdando o comando, seja por circunstâncias administrativas, seja por rearranjos políticos ao longo do mandato.
É justamente por isso que a escolha vem sendo tratada com tanto cuidado pelas principais forças políticas do estado. No grupo governista, o espaço destinado ao PT na chapa de Lucas Ribeiro está bem encaminhado, mas o nome segue indefinido. A cautela é estratégica: errar agora pode custar caro mais adiante.
No MDB, o senador Veneziano Vital do Rêgo faz o movimento de apresentar opções, colocando nomes como Diogo Cunha Lima, Fábio Ramalho e Tovar Correia Lima no radar, sem fechar questão. O gesto indica disposição para o diálogo, mas também reforça que a decisão será tomada no tempo político adequado.
Já no campo do PL, sob liderança de Efraim Filho na Paraíba, a possibilidade de indicação de Juliana Cunha Lima ganha força nos bastidores. A eventual escolha carrega peso político e simbólico, mas, assim como nos outros grupos, permanece em compasso de espera.
O que une todos esses cenários é a mesma lógica: ninguém quer errar na escolha do vice. A experiência recente mostra que esse posto pode deixar de ser secundário a qualquer momento e assumir o centro do poder.
Na Paraíba de hoje, o vice não é apenas complemento de chapa. É, cada vez mais, uma decisão de governo antecipada.