João Pessoa, segunda-feira, 28 de setembro de 2026
Veja os diálogos de Hugo Motta com Vorcaro sobre negócio na Paraíba, pedidos na Câmara e tratamento de “irmão”
28/09/2026 15:36
Redação ON Reprodução

A história dos R$ 22 milhões do Banco Master ligados a um empreendimento imobiliário em João Pessoa já havia sido revelada por O Norte Online em março. O que aparece agora são as conversas entre o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o então dono do banco, Daniel Vorcaro. Os prints mostram Motta acompanhando a operação registrada em nome de sua cunhada, tratando de sociedade com o banqueiro e mantendo com ele uma relação que chegou ao tratamento de “amigo irmão”. Os diálogos foram divulgados pelo site Fatos Online, em matéria assinada pelo jornalista Mino Pedrosa.

Em março de 2024, Motta procurou Vorcaro para falar do “assunto da PB”. Dias depois, informou que os documentos para a compra de uma área em João Pessoa estavam assinados e que a empresa estava sendo passada para sua cunhada, Bianca Medeiros. Na conversa, levantou uma questão que os registros da empresa não explicam: o “formato de sociedade” combinado entre eles. Vorcaro respondeu que faria a operação bancária e deixaria a sociedade para acertarem depois. “Entre nós resolvemos depois”, escreveu.

Os prints seguintes mostram Motta acompanhando assinaturas e pagamento, cobrando uma autorização do banco e propondo outro encontro para “alinhar tudo”. O Banco Master concedeu pelo menos R$ 22 milhões à empresa controlada por Bianca, ligada ao projeto Nova Paraíba, previsto para a área da antiga fábrica de cimento Cimepar. Foi esse destino do dinheiro que O Norte Online detalhou em março. As novas mensagens trazem para o centro da história a atuação pessoal de Motta nas tratativas com Vorcaro.

As conversas vão além do empreendimento. Em uma delas, Motta pede a Vorcaro um estudo sobre o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e sugere que voltem a falar sobre onde o assunto poderia ser “encaixado”. Em outro diálogo divulgado pelo Fatos Online, Vorcaro pede ajuda ao deputado em um projeto de lei sobre créditos de carbono. Os prints registram o pedido, mas não demonstram, por si, que Motta tenha alterado ou aprovado o projeto em benefício do banqueiro.

A proximidade entre os dois aparece também fora dos negócios. Segundo as mensagens, Vorcaro colocou aeronaves à disposição de Motta. No aniversário do deputado, chamou-o de “amigo irmão” e prometeu estar ao seu lado “para qualquer guerra”. Motta respondeu que estariam “sempre juntos”. O tom lembra os diálogos de Vorcaro com outros políticos, entre eles o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que também vieram a público.

Vorcaro chegou a aconselhar Motta durante sua campanha à presidência da Câmara. Ao conversarem sobre uma possível viagem a Portugal, o banqueiro sugeriu que ele evitasse exposição naquele momento e trabalhasse nos bastidores. Já em julho de 2025, os dois trocaram mensagens sobre contatos com Alcolumbre e sobre uma reunião envolvendo o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.

Motta afirmou anteriormente que o empréstimo à empresa da cunhada ocorreu dentro da legalidade. Os diálogos agora divulgados não comprovam que ele fosse sócio do empreendimento nem que tenha cometido irregularidade. Eles mostram, porém, que o presidente da Câmara participou diretamente de conversas sobre a operação, enquanto ele e Vorcaro falavam de um acerto de sociedade a ser feito entre os dois. É essa parte da história que ainda precisa de explicação — e que os prints permitem ao leitor examinar.

Os prints vazados

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