Cabedelo volta às urnas neste domingo (12) em uma eleição que carrega mais do que a escolha de um prefeito. É um novo capítulo de uma sequência recente de instabilidades políticas que interromperam mandatos, provocaram intervenções judiciais e colocaram a cidade, mais de uma vez, diante da necessidade de recomeçar.
O histórico ainda é muito próximo. Em 2018, a Operação Xeque-Mate levou à renúncia do então prefeito Leto Viana e atingiu parte significativa da estrutura política local. Anos depois, a cidade volta ao mesmo ponto: a eleição de 2024 foi anulada após a cassação do prefeito André Coutinho, em um processo que apontou abuso de poder político e econômico, coação de eleitores e suspeitas de compra de votos.
A convocação desta eleição suplementar é consequência direta dessas decisões, confirmadas nas instâncias superiores. E, mesmo às vésperas da votação, ainda houve uma tentativa de suspender o pleito, levada ao Supremo Tribunal Federal, mas rejeitada pelo ministro André Mendonça, mantendo o calendário definido pela Justiça Eleitoral.
Ou seja, o eleitor chega à urna depois de um processo atravessado por disputas judiciais, recursos e questionamentos já superados – mas que ajudam a dimensionar o ambiente em que a eleição acontece.
Quem está na disputa
No campo político, a disputa tem nomes conhecidos. O prefeito interino Edvaldo Neto aparece como principal candidato, tentando converter a condição de quem já está à frente da gestão em vitória nas urnas. Do outro lado, Walber Virgolino surge como principal adversário, buscando se firmar como alternativa nesse cenário de desgaste institucional.
Os números mais recentes indicam vantagem de Edvaldo Neto, com 50,8% das intenções de voto, contra 19,4% de Walber. Ainda assim, há um contingente relevante de indecisos, além de votos brancos e nulos, o que mantém alguma margem de imprevisibilidade.
Potência econômica
Em meio a esse quadro político conturbado, Cabedelo preserva uma característica que torna tudo ainda mais sensível: trata-se de uma cidade estratégica do ponto de vista econômico, sustentada pelo Porto de Cabedelo, pela atividade logística e por um setor de serviços em expansão. É um município que cresce, que atrai investimentos e que tem peso relevante na economia do estado.
É justamente essa combinação que torna a eleição deste domingo mais significativa. De um lado, uma cidade com potencial e dinamismo. Do outro, um histórico recente de rupturas políticas que interrompem mandatos e exigem recomeços sucessivos. Ao final, o voto deste domingo não resolve apenas uma eleição suplementar. Ele sinaliza se Cabedelo conseguirá alinhar sua força econômica com a estabilidade política que ainda busca consolidar
