Presidente nacional do PT abre o jogo sobre a Paraíba, mas não toca no nome de Ricardo
12/04/2026 06:10
Redação ON Reprodução

O presidente nacional do PT, Edinho Silva, falou de forma direta e sem rodeios sobre o cenário político da Paraíba em entrevista ao perfil da repórter Jaceline Marques no Instagram. Abordou alianças, cobrou espaço, comentou impasses e projetou o papel do partido nas eleições, deixando claro que o apoio à chapa liderada pelo governador Lucas Ribeiro não será, em hipótese alguma, um movimento de subordinação. “O PT é um partido que tem hoje uma força nacional, é o partido do presidente Lula, é o partido que governa o Brasil. Esse partido tem que ter protagonismo. Esse partido não pode ser submetido”, afirmou.

Ao tratar da decisão do PT paraibano, Edinho reforçou que a direção estadual tem autonomia para conduzir a estratégia eleitoral, mas condicionou essa liberdade a um ponto central: reconhecimento político. “O partido tem autonomia para decidir a tática eleitoral no estado, mas desde que o partido seja valorizado e tenha um espaço condizente com o seu tamanho”, disse, deixando claro que a aliança passa necessariamente por essa equação.

Um dos momentos mais delicados da entrevista foi quando ele comentou a posição de Cícero Lucena, que já sinalizou que pode não apoiar Lula caso não seja o escolhido pelo PT na Paraíba. Edinho evitou o confronto direto e adotou um tom pragmático. “Cícero é um grande amigo, nós fomos prefeitos juntos, mas ele tem total autonomia para defender as suas posições”, declarou. Em seguida, ampliou o raciocínio: “Em muitos estados, o presidente Lula terá dois palanques. Isso é natural. Uma coisa é o movimento do PT, outra coisa é o movimento da candidatura do presidente Lula”.

Essa distinção entre partido e presidente foi repetida várias vezes ao longo da entrevista, como uma tentativa de organizar o tabuleiro político. Edinho deixou claro que as decisões do PT não vinculam automaticamente Lula, que atua com uma base mais ampla. “O presidente Lula é uma outra instituição. Ele constrói suas relações políticas de acordo com a realidade da sua candidatura”, explicou.

Questionado sobre a presença de Lula na campanha paraibana, Edinho evitou antecipar cenários, mas sinalizou desejo. “O presidente Lula quer muito ir à Paraíba, pelo respeito que tem pelo povo paraibano. Agora, isso vai depender de como nós vamos acomodar as posições políticas”, afirmou, pedindo cautela: “É preciso ter calma, tranquilidade e continuar dialogando”.

Na disputa pelo Senado, o dirigente também adotou um discurso de equilíbrio, mas com recados claros. Destacou a relação de confiança de Lula com João Azevêdo e Veneziano Vital do Rêgo. “Ele tem uma gratidão imensa pelo governador João Azevêdo e pelo senador Veneziano, que tem sido um parceiro extremamente leal”, disse. Ao mesmo tempo, evitou fechar portas: “Isso não significa falta de respeito a outros nomes. O presidente sempre terá uma posição de reconhecimento político”.

A entrevista avançou ainda sobre a negociação por espaços no governo, especialmente a Secretaria de Desenvolvimento Humano, considerada estratégica dentro da estrutura estadual. Edinho foi direto ao dizer que essa definição cabe ao PT da Paraíba, mas estabeleceu condições duras para qualquer acordo. “O que nós temos dialogado é que o PT tenha o reconhecimento dos nossos aliados. O apoio ao presidente Lula tem que ser integral. Se tiver dúvida nesse apoio, é melhor não fechar a aliança”, afirmou. E reforçou: “Cabe à direção estadual negociar o seu tamanho e a sua representatividade. Caso contrário, não faz sentido essa aliança ser constituída”.

Sobre a saída de Luciano Cartaxo do PT, Edinho adotou um tom mais breve, mas não deixou de registrar posição. “Eu lamento muito, mas respeito a decisão. Ele fez uma escolha e espero que seja feliz”, disse, acrescentando que o partido seguirá seu caminho com foco no crescimento das bancadas e no fortalecimento político no estado.

No conjunto, a entrevista percorre os principais pontos de tensão da política paraibana: alianças, palanques, disputa por espaço, lealdades e estratégia nacional. Edinho fala, explica, justifica e, em vários momentos, manda recados claros — tanto para aliados quanto para dentro do próprio partido.

Mas, justamente por tratar de quase tudo, chama atenção o que ficou fora: o ex-governador Ricardo Coutinho, que era contra essa aliança com o governo Lucas Ribeiro.

 Em meio a um cenário marcado por divergências internas, é uma ausência que não passa despercebida. E que, por si só, ajuda a entender o momento político vivido pelo PT na Paraíba.

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