João Pessoa, quarta-feira, 4 de novembro de 2026
Trump perde força nos EUA: o que muda para Lula, os Bolsonaro e o Brasil
04/11/2026 05:18
Redação ON Reprodução

A apuração das eleições dos Estados Unidos ainda não terminou, mas o principal resultado político já aparece nas projeções: Donald Trump perdeu o controle do Congresso. A vitória democrata na Câmara dos Representantes e no Senado impõe uma derrota expressiva ao presidente americano e abre uma nova fase de seu governo, com mais obstáculos para aprovar propostas e maior fiscalização sobre suas decisões. CNN, ABC News e Reuters apontam a conquista das duas Casas pela oposição.

No Brasil, a mudança permite uma leitura política: Lula pode ganhar espaço para negociar, enquanto os Bolsonaro veem seu principal aliado internacional enfraquecido. Isso, porém, não significa uma mudança automática na relação entre os dois países. Trump continua na Presidência, e a política externa americana permanece sob sua condução.

O retrato da apuração

Na atualização às 4h08 desta quarta-feira, 4 de novembro, pelo horário de Brasília, os democratas somavam 223 das 435 cadeiras da Câmara, contra 132 dos republicanos. No Senado, já tinham pelo menos 53 dos 100 assentos. Os números são parciais e refletem projeções das disputas, não a certificação definitiva de todos os resultados.

A eleição de terça-feira renovou toda a Câmara e parte do Senado. Não estava em disputa a Presidência, mas a capacidade de Trump governar com apoio parlamentar. A nova composição assume em janeiro de 2027.

Com o Congresso nas mãos da oposição, o governo deverá negociar mais para aprovar leis. Os democratas também poderão ampliar investigações sobre a administração e, no Senado, barrar indicações presidenciais. Trump conserva o poder de veto, o que cria condições para disputas e impasses nos dois anos finais do mandato.

O que os Bolsonaro perdem

Para a família Bolsonaro, a consequência mais imediata é política: perde força a aposta em um Trump capaz de mobilizar, sem resistência relevante no Congresso, o governo americano em favor de seus aliados brasileiros.

No caso de Flávio Bolsonaro, existe uma possibilidade concreta de maior escrutínio. Antes da votação, a deputada democrata Pramila Jayapal já defendia que uma vitória de seu partido abrisse caminho para investigar a ajuda do governo Trump ao senador. Ela está entre os parlamentares que cobram esclarecimentos do secretário de Estado, Marco Rubio. A nova maioria torna essa iniciativa politicamente mais viável, embora não signifique que uma investigação já tenha sido instalada.

O efeito possível é elevar o custo de eventual tratamento privilegiado. Audiências, pedidos de documentos e cobranças públicas podem obrigar o governo americano a explicar suas decisões.

Isso não equivale à expulsão de Flávio dos Estados Unidos. Conforme reportagem do SBT News, o Congresso não decide diretamente sobre sua permanência: as autorizações migratórias individuais pertencem à esfera do Executivo. A derrota republicana aumenta a pressão política, mas não determina, por si só, o desfecho de sua situação.

Lula ganha uma oportunidade

Para Lula, o benefício potencial está na ampliação dos interlocutores com poder em Washington. Um Congresso disposto a fiscalizar Trump pode oferecer mais espaço para contestar medidas contra o Brasil e questionar iniciativas que misturem interesses de Estado com apoio a uma família política.

Essa é uma possibilidade decorrente do novo equilíbrio de forças, não uma garantia de alinhamento dos democratas ao governo brasileiro. A oposição americana tem suas próprias prioridades e interesses.

A agenda bilateral continua exigindo negociação. Tarifas e minerais críticos já estavam entre os assuntos centrais da relação, segundo reportagem da Folha publicada antes das eleições americanas. A derrota de Trump não elimina esses conflitos nem substitui o diálogo entre os governos.

E o Brasil: ganha ou perde?

O cenário pode ser mais favorável ao Brasil se o aumento da fiscalização parlamentar contribuir para uma relação previsível, conduzida por interesses comerciais e diplomáticos. Para empresas e exportadores, entretanto, ainda não há benefício econômico assegurado.

A eleição não revoga tarifas automaticamente, não fecha acordos e não garante valorização do real ou novos investimentos. Esses resultados dependerão de decisões posteriores. Também existe o risco de que o confronto entre Congresso e Casa Branca prolongue negociações e produza incerteza.

O saldo político inicial é mais claro: os Bolsonaro passam a contar com um aliado mais limitado; Lula encontra uma oportunidade de ampliar o diálogo; e o Brasil pode ganhar margem de negociação. Transformar essa oportunidade em vantagem concreta dependerá do que Brasília e Washington fizerem depois das urnas.

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