terça-feira, 4 de agosto de 2026
Toffoli pede acesso a celulares da investigação do Master e nega proximidade com banqueiro
12/02/2026 13:20
Redação ON Reprodução

O avanço das investigações sobre o escândalo envolvendo o Banco Master colocou o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, no centro de um enredo que mistura exposição pessoal, decisões institucionais sensíveis e questionamentos no meio jurídico. Um dia depois de a Polícia Federal informar à Presidência do STF que encontrou menções ao nome do ministro em conversas armazenadas no celular do banqueiro Daniel Vorcaro, Toffoli determinou que todo o material apreendido pela PF seja remetido à Corte.

Na decisão, o ministro ordena o envio integral do conteúdo dos aparelhos telefônicos e demais mídias recolhidas no curso da investigação, além dos laudos periciais já produzidos. A justificativa formal é a de garantir o direito de defesa dos investigados, uma vez que advogados solicitaram acesso às provas reunidas no inquérito. Toffoli invoca, para isso, a Súmula Vinculante 14, que assegura às partes acesso aos elementos já documentados em procedimentos investigatórios.

Nos bastidores do meio jurídico, a medida causou estranhamento pelo simbolismo do gesto. O pedido ocorre justamente no momento em que o nome do próprio relator aparece em relatórios da Polícia Federal, o que gerou interpretações de que o ministro passa a ter contato direto com um conjunto de informações sensíveis que envolvem, ainda que indiretamente, sua própria citação no inquérito. O relatório entregue a Edson Fachin menciona diálogos e referências a Toffoli em mensagens encontradas no celular de Vorcaro, elemento que levou a PF a acionar a Presidência do Supremo, e não o relator do caso, para dar encaminhamento institucional ao achado.

No mesmo dia, Toffoli divulgou nota pública para reagir às informações que vieram à tona sobre seus vínculos empresariais. O ministro confirmou que integra o quadro societário de uma empresa familiar que, no passado, manteve negócios com fundos de investimento ligados ao entorno de Daniel Vorcaro. Reconheceu o recebimento de dividendos, mas negou qualquer relação pessoal com o banqueiro e afirmou que jamais recebeu valores diretamente pagos por ele.

Segundo o ministro, sua participação na empresa é meramente societária, sem envolvimento na administração, o que, de acordo com a Lei Orgânica da Magistratura, não configura irregularidade. Ele sustenta que todas as operações foram declaradas à Receita Federal e realizadas dentro de valores de mercado, e que a empresa encerrou sua participação nos empreendimentos que tinham relação com fundos ligados ao grupo envolvido no caso.

A combinação desses dois movimentos — a requisição do conteúdo integral dos celulares apreendidos e a necessidade de se explicar publicamente sobre relações comerciais indiretas com o entorno do principal investigado — ampliou o desconforto em torno da posição de Toffoli no processo. O episódio reforça a pressão sobre o Supremo para definir os próximos passos no caso Banco Master e alimenta o debate, ainda latente, sobre a permanência do ministro na relatoria de um inquérito que passou a tangenciar sua própria esfera de interesses.

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