João Pessoa, quarta-feira, 16 de setembro de 2026
Teorias da conspiração viram arma na pré-campanha presidencial entre Lula e Flávio Bolsonaro
23/02/2026 19:29
Redação ON Reprodução

À medida que a corrida presidencial começa a esquentar, o submundo da política também entra em campo. Nos bastidores, aliados e adversários dos dois principais polos da disputa passaram a espalhar teorias de conspiração que têm menos relação com fatos concretos e mais com a tentativa de desgastar, confundir e testar narrativas junto às bases eleitorais.

De um lado, circula no campo governista a suspeita de que o senador Flávio Bolsonaro estaria, nos bastidores, estimulando ou, no mínimo, se beneficiando de movimentos jurídicos que miram a cassação do governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro. A leitura conspiratória é a de que a eventual queda do governador abriria caminho para que Flávio controlasse melhor a sucessão no estado e, sobretudo, eliminasse um concorrente direto na disputa por uma vaga ao Senado em 2026. A tese ganha tempero político porque, num cenário hipotético, Flávio só poderia disputar novamente o Senado se abrisse mão de um projeto nacional, o que hoje parece distante do discurso público de seu grupo.

Do outro lado, a artilharia conspiratória vem do campo bolsonarista. Após pesquisas indicarem uma aproximação de Flávio Bolsonaro em relação ao líder das intenções de voto, aliados passaram a ventilar a tese de que Lula poderia até desistir de disputar a reeleição, temendo o risco de uma derrota. A narrativa se espalhou em redes sociais e bastidores de partidos, como se o presidente estivesse avaliando uma saída honrosa antes que o cenário se tornasse mais adverso.

Nada disso, até aqui, se sustenta em fatos verificáveis. Nem há provas de articulação de Flávio contra Cláudio Castro, nem sinais concretos de que Lula cogite abrir mão de concorrer. O que existe é o uso cada vez mais frequente da desinformação estratégica como instrumento político: versões plantadas, ilações lançadas ao vento e conspirações fabricadas para moldar percepções, criar desconfiança e empurrar adversários para o terreno da defensiva.

Em um ambiente pré-eleitoral marcado por radicalização e guerra de narrativas, teorias da conspiração voltam a cumprir seu papel clássico: não precisam ser verdadeiras para cumprir sua função. Basta que circulem, gerem ruído e ocupem espaço no debate público.

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