quinta-feira, 23 de julho de 2026
TAP escolhe São Luís e reacende frustração da Paraíba por voo internacional rejeitado
31/01/2026 05:35
Redação ON Reprodução

A decisão da TAP Air Portugal de incluir São Luís em sua malha aérea no Brasil, a partir deste ano, foi recebida com entusiasmo no Maranhão, mas também reabriu uma ferida recente na Paraíba. A companhia portuguesa anunciou que passará a operar voos entre Lisboa e a capital maranhense, tornando São Luís a 15ª cidade brasileira atendida pela empresa e a primeira do estado a ter ligação aérea direta com o exterior.

Segundo registros da Agência Nacional de Aviação Civil, a nova rota tem início previsto para 27 de outubro. O voo partirá de Lisboa às 19h05, com chegada a São Luís às 0h10 do dia seguinte. A operação será realizada com aeronaves Airbus A321LR, em um modelo triangular que inclui Fortaleza antes do retorno a Portugal. As frequências estão programadas para terças e sextas-feiras, e o trecho entre Maranhão e Ceará não será comercializado.

O anúncio tem um peso simbólico relevante. Mesmo homologado para operações internacionais, o Aeroporto Marechal Cunha Machado jamais havia recebido voos regulares para fora do país. A TAP será, portanto, a primeira companhia a ligar diretamente o Maranhão à Europa. No Brasil, a empresa já opera voos regulares para capitais como Belo Horizonte, Belém, Brasília, Florianópolis, Fortaleza, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Manaus, Maceió, Salvador e São Paulo.

Incômodo paraibano

É justamente nesse ponto que surge o incômodo paraibano. Pouco mais de um ano atrás, a Paraíba tentou, de forma direta e pública, atrair exatamente esse tipo de operação. Em junho do ano passado, o governador João Azevêdo esteve pessoalmente em tratativas com a TAP durante a Bolsa de Turismo de Lisboa, acompanhado do presidente da Embratur, Marcelo Freixo. A proposta era viabilizar um voo direto entre João Pessoa e Lisboa, aproveitando o crescimento consistente do turismo paraibano e a projeção nacional da capital como destino urbano e de sol e mar.

Na ocasião, a Paraíba manteve um estande próprio na feira, considerado um dos mais visitados do evento, com forte divulgação de seus atrativos turísticos. Freixo chegou a afirmar publicamente que João Pessoa já merecia um voo internacional, destacando o bom momento do destino e os investimentos em infraestrutura turística.

A expectativa, no entanto, foi frustrada. Em entrevista à imprensa portuguesa, o diretor da TAP nas Américas, Carlos Antunes, descartou qualquer possibilidade de abertura da rota no curto prazo. Segundo ele, a companhia já possui ampla cobertura no Nordeste, com voos para capitais próximas como Recife e Natal, o que tornaria desnecessária a criação de uma nova operação em João Pessoa.

Além disso, o executivo alegou limitações técnicas no Aeroporto Castro Pinto, especialmente relacionadas ao tamanho da pista para decolagens seguras de aeronaves de grande porte em voos intercontinentais. “Todo mundo quer voos da TAP, mas tem que fazer sentido. E neste caso, não faz”, afirmou.

A escolha por São Luís, anunciada agora, torna inevitável a comparação e alimenta a sensação de que a Paraíba, apesar de mais consolidada no cenário turístico nacional, acabou ficando em segundo plano nas decisões estratégicas da companhia portuguesa.

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