quarta-feira, 6 de maio de 2026
Suspensão de bolsonaristas expõe desgaste de Hugo Motta e eleva tensão com bancada do PL
06/05/2026 06:01
Redação ON Reprodução

A suspensão de três deputados bolsonaristas pela Câmara dos Deputados acabou transformando o presidente da Casa, o paraibano Hugo Motta, no principal alvo político da crise. Embora a punição aplicada tenha sido considerada branda — apenas 60 dias de afastamento — o episódio ampliou o desgaste em torno de Motta, que passou a ser acusado pela oposição de agir por “revanchismo” e de usar o Conselho de Ética para retaliar parlamentares alinhados ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

A sessão desta terça-feira (5) já começou sob pressão da bancada bolsonarista. O líder da oposição na Câmara, o paraibano Cabo Gilberto Silva, tentou adiar a votação e questionou a possibilidade de participação remota de parlamentares no Conselho de Ética. Em meio ao tumulto, a estratégia da direita era ganhar tempo e evitar que o caso avançasse da forma como desejava o comando da Casa.

Mas o momento mais tenso veio quando o líder do PL, Sóstenes Cavalcante, fez uma ameaça política explícita ao presidente da Câmara. Da tribuna, afirmou que a situação só chegou àquele ponto por “desejo” e “ego” de Hugo Motta e avisou que o partido iria “até as últimas consequências”. A fala foi interpretada nos bastidores como um recado direto ao deputado paraibano, que já enfrenta dificuldades para equilibrar a relação entre o centrão, o governo e a ala mais radical da oposição.

O Conselho de Ética aprovou a suspensão por 60 dias dos deputados Marcos Pollon, Marcel van Hattem e Zé Trovão por envolvimento no motim bolsonarista que ocupou a Mesa Diretora da Câmara em 2025. A ação impediu o funcionamento do plenário por cerca de 30 horas e teve como um dos principais alvos justamente Hugo Motta, impedido de assumir a presidência da sessão naquele episódio.

A punição, porém, ficou abaixo do que muitos esperavam. Havia parlamentares defendendo até a cassação dos envolvidos, sobretudo após os ataques pessoais contra Motta e a ocupação da cadeira da presidência da Câmara. O próprio presidente da Casa chegou a mencionar, anteriormente, a possibilidade de uma suspensão de até seis meses.

Marcos Pollon foi um dos protagonistas do confronto. Além de participar da ocupação da Mesa Diretora, ele chamou Hugo Motta de “baixinho de 1,60m” durante manifestação em Mato Grosso do Sul, em protesto contra a demora na votação da anistia aos condenados pelos atos golpistas do 8 de Janeiro.

Mesmo diante da punição, os parlamentares não demonstraram recuo. Durante a sessão, Zé Trovão e Marcel van Hattem disseram que repetiriam a ocupação da Mesa Diretora se julgassem necessário. Pollon afirmou que a suspensão serviria como uma “medalha” para o grupo e declarou que voltaria a tomar a Mesa da Câmara “quantas vezes fosse preciso”.

O caso escancarou um problema político delicado para Hugo Motta. Ao mesmo tempo em que precisou reagir para preservar a autoridade institucional da Câmara, o presidente passou a enfrentar ataques cada vez mais agressivos da ala bolsonarista, inclusive de deputados que antes mantinham relação menos conflituosa com ele. Na prática, a crise elevou a temperatura política dentro da Casa e colocou o parlamentar paraibano no centro de uma disputa que promete continuar nos próximos meses.

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