Réus e testemunhas da ação que investiga uma tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022 retornam ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta terça-feira (24) para uma nova etapa decisiva do processo: as acareações. A fase, que acontece na sala de audiências da Corte, colocará frente a frente personagens centrais do que a Procuradoria-Geral da República (PGR) classificou como “núcleo crucial” da trama golpista.
Entre os oito réus está o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A primeira acareação será entre o tenente-coronel Mauro Cid, delator do caso e ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, e o general Walter Braga Netto, ex-ministro da Defesa. Em seguida, ocorre o confronto entre Anderson Torres, ex-ministro da Justiça, e o general Marco Antônio Freire Gomes, ex-comandante do Exército, que participa como testemunha, não como réu.
Solicitadas pelas defesas, as acareações visam esclarecer contradições nos depoimentos e apurações da ação penal. Os procedimentos serão conduzidos pelo relator do caso, o ministro Alexandre de Moraes.
Em sua delação, Mauro Cid relatou ter participado de uma reunião com Braga Netto sobre o plano denominado “Punhal Verde e Amarelo”. Segundo Cid, o general teria repassado dinheiro para financiar ações desse plano, por meio do major Rafael Martins de Oliveira.
A defesa de Braga Netto, que está preso preventivamente desde dezembro de 2024, contesta as acusações e afirma que Cid não apresentou provas que sustentem suas declarações. “Sem a acareação, restaria a esta defesa a produção de provas negativas, algo tão inadmissível quanto impor ao requerente o ônus de fazer prova sobre as acusações feitas contra si”, afirmou o advogado José Luis Oliveira Lima.
Braga Netto é apontado como um dos articuladores de um suposto plano para assassinar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e o ministro Alexandre de Moraes, logo após o resultado das eleições de 2022.

