João Pessoa, quarta-feira, 16 de setembro de 2026
STF impõe limite a penduricalhos e redefine salários no Judiciário
25/03/2026 19:59
Redação ON Reprodução

O Supremo Tribunal Federal estabeleceu novas regras para conter os chamados penduricalhos pagos a integrantes do Judiciário e do Ministério Público. A partir de agora, essas verbas indenizatórias ficam limitadas a 35% do teto constitucional, hoje fixado em R$ 46,3 mil, valor correspondente ao subsídio dos ministros da própria Corte.

Na prática, a decisão cria um novo desenho remuneratório. Um magistrado em início de carreira poderá receber até cerca de R$ 62,5 mil mensais. Já no topo da carreira, a remuneração pode alcançar aproximadamente R$ 78,5 mil, somando salário e indenizações permitidas dentro do limite estabelecido.

A mudança começa a valer já na folha de abril, com pagamento em maio. Segundo estimativa do próprio STF, a medida pode gerar uma economia anual de R$ 7,3 bilhões, considerando as médias registradas em 2025.

O que muda, na essência, é a padronização e o freio nos adicionais que, ao longo dos anos, vinham elevando os contracheques muito acima do teto constitucional. Até então, a combinação de auxílios, gratificações e indenizações permitia que muitos salários ultrapassassem com folga o limite oficial, chegando a médias próximas de R$ 95 mil mensais.

Pelas novas regras, todas as verbas indenizatórias passam a obedecer ao limite de até 35% do subsídio. Também foi autorizado o adicional por tempo de serviço, igualmente limitado a esse percentual, o que ajuda a compor a remuneração final, especialmente nas carreiras mais longas.

O Supremo também definiu quais pagamentos continuam permitidos fora do teto, como o 13º salário, o adicional de férias, o auxílio-saúde comprovado, o abono de permanência e a gratificação por funções eleitorais. Por outro lado, proibiu uma série de práticas que vinham sendo utilizadas para inflar os vencimentos, como a conversão de licenças em dinheiro e a criação de vantagens por meio de atos administrativos.

Outro ponto central da decisão é a exigência de maior transparência. Tribunais, Ministérios Públicos e demais órgãos deverão divulgar mensalmente, de forma detalhada, os valores pagos a seus membros, incluindo todas as rubricas. A medida busca reduzir distorções e facilitar o controle público sobre os salários.

A decisão também reforça que qualquer criação ou alteração de benefícios só poderá ocorrer por meio de lei federal ou por deliberação do próprio STF, fechando brechas para iniciativas isoladas em estados e órgãos específicos.

Para os demais servidores públicos, nada muda por enquanto. As regras atuais continuam valendo até que o Congresso Nacional edite uma legislação específica sobre o tema, o que não deve ocorrer no curto prazo, especialmente em um cenário de ano eleitoral.

Com isso, o STF tenta equilibrar duas pressões históricas: conter os supersalários no serviço público e, ao mesmo tempo, preservar a estrutura remuneratória das carreiras jurídicas.

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