O Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria para condenar o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro a quatro anos e dois meses de prisão, em regime inicial semiaberto, pelo crime de coação no curso do processo. Segundo o entendimento da Corte, ele atuou junto a integrantes do governo do presidente norte-americano Donald Trump para estimular a adoção de sanções econômicas e diplomáticas contra o Brasil, com o objetivo de pressionar o Judiciário brasileiro em favor do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A decisão ainda é passível de recurso e integra os desdobramentos das investigações sobre atos considerados atentatórios às instituições democráticas. Em 2025, Jair Bolsonaro foi condenado a 27 anos de prisão por tentativa de permanecer no poder após a derrota nas eleições presidenciais de 2022 para Luiz Inácio Lula da Silva.
Da Polícia Federal ao protagonismo no bolsonarismo
Formado em Direito, Eduardo Bolsonaro iniciou a carreira pública como escrivão da Polícia Federal. Em 2014, foi eleito deputado federal pelo Rio de Janeiro, impulsionado pelo crescimento político de seu pai, então deputado e candidato à Presidência da República.
Quatro anos depois, transferiu seu domicílio eleitoral para São Paulo e alcançou a maior votação já registrada para um candidato à Câmara dos Deputados, com mais de 1,8 milhão de votos. O resultado o consolidou como um dos principais representantes da ala mais ideológica do bolsonarismo no Congresso Nacional.
Relação com a direita internacional
Ao longo dos mandatos, Eduardo passou a atuar como principal elo entre o bolsonarismo e setores da direita conservadora dos Estados Unidos. Aproximou-se de lideranças como Steve Bannon, participou da organização de edições brasileiras da Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC) e presidiu a Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados.
Em 2019, chegou a ser indicado pelo então presidente Jair Bolsonaro para assumir a Embaixada do Brasil em Washington, mas a nomeação acabou não sendo efetivada.
Atuação nos Estados Unidos levou à condenação
Após a derrota de Jair Bolsonaro nas eleições de 2022 e o avanço das investigações conduzidas pelo STF, Eduardo Bolsonaro intensificou viagens aos Estados Unidos, onde passou a denunciar o que classificava como perseguição política contra seu grupo.
De acordo com a decisão do Supremo, a articulação para estimular medidas de pressão internacional contra o Estado brasileiro extrapolou a atuação política e caracterizou coação no curso do processo, ao buscar influenciar o andamento de ações judiciais envolvendo o ex-presidente. Foi esse conjunto de condutas que embasou a condenação imposta pela Corte, cuja decisão ainda poderá ser contestada por meio de recurso.