O primeiro debate entre os candidatos ao Governo da Paraíba após a divulgação da pesquisa Quaest manteve praticamente inalterada a estratégia adotada até agora por Cícero Lucena (MDB) e Efraim Filho (PL). Mesmo separados por apenas um ponto percentual e disputando diretamente a segunda colocação, os dois voltaram a concentrar os ataques no governador Lucas Ribeiro (PP).
O encontro foi promovido pela Rede Ita, na noite desta quarta-feira (26), em Campina Grande, e dividido em quatro blocos. Além da apresentação das prioridades de cada candidato, o formato incluiu temas definidos pela organização, perguntas entre os participantes, réplicas, tréplicas, confronto direto e considerações finais.
A expectativa era de alguma mudança de comportamento depois da pesquisa Quaest divulgada na terça-feira (25). O levantamento mostrou Lucas com 38% das intenções de voto, contra 19% de Cícero e 18% de Efraim. O governador abriu 19 pontos sobre o segundo colocado, enquanto os dois adversários ficaram separados por apenas um ponto.
Apesar desse cenário, Cícero e Efraim mantiveram uma espécie de trégua. Quando teve a oportunidade de questionar o candidato do PL, por exemplo, o emedebista escolheu a saúde estadual como tema e formulou uma pergunta que abriu espaço para Efraim atacar diretamente a administração de Lucas.
A postura chama atenção porque, a menos de 40 dias da eleição, Efraim já ameaça ultrapassar Cícero na disputa pela segunda colocação. Caso o crescimento do candidato do PL seja confirmado pelas próximas pesquisas, o emedebista poderá ser obrigado a mudar de estratégia e passar a confrontar também o adversário com quem hoje divide os ataques ao governo.
Lucas percebeu a movimentação e levou o assunto ao microfone. Durante uma discussão sobre a Parceria Público-Privada do saneamento, o governador acusou Efraim de divulgar informações falsas sobre a Cagepa e sobre um possível aumento da conta de água.
“Você falou muitas mentiras aqui, candidato”, disparou Lucas.
Em seguida, o governador afirmou que Cícero e Efraim estariam agindo de maneira combinada durante o debate.
“Já deu para perceber que aqui está uma união de duas pessoas que, na verdade, são uma só, que estão apenas com o interesse de acabar com o Estado. É isso que eles representam aí, juntinhos, com seus bate-bolas”, declarou.
Efraim havia classificado o contrato de saneamento como “nocivo para a Paraíba” e prometido revisá-lo caso seja eleito. Segundo ele, a falta de concorrência no leilão poderá provocar aumento da tarifa paga pela população.
Cícero também confrontou Lucas sobre os salários dos profissionais da segurança pública. O candidato do MDB afirmou que a Paraíba teria a segunda pior remuneração do país para a categoria. Lucas respondeu que sua gestão concedeu reajustes aos servidores e acusou o adversário de representar a volta ao que chamou de “tempo do atraso”.
Ao questionar o governador, Cícero recorreu em diferentes momentos a uma ironia calculada. Sugeriu que Lucas deveria consultar melhor as pessoas que o orientam, numa tentativa de transmitir a ideia de que o candidato não teria domínio sobre as decisões da própria administração.
Lucas, por sua vez, procurou explorar o fato de ser natural de Campina Grande. Ao mencionar unidades de saúde e obras da cidade, detalhou endereços e pontos de referência, buscando demonstrar maior conhecimento da realidade local do que os dois adversários.
O debate confirmou, portanto, um cenário já observado nos confrontos anteriores: Lucas como alvo central e Cícero e Efraim evitando choques mais duros entre si. A diferença é que, agora, os números da Quaest aumentam a pressão sobre essa estratégia. Enquanto o governador aparece consolidado na liderança, os dois adversários travam uma disputa cada vez mais apertada pela vaga em um eventual segundo turno.

