O que mais chama atenção no desfecho da disputa interna do PT na Paraíba não é exatamente a decisão tomada no sábado (11), mas o silêncio que veio depois. Após dias de tensão e declarações firmes contra a condução do diretório estadual, o ex-governador Ricardo Coutinho simplesmente emudeceu.
Na sexta-feira, antes da reunião que selaria o apoio do partido à indicação de um vice na chapa do governador Lucas Ribeiro (PP), Ricardo foi direto ao ponto. Em entrevista à Rádio Rural, tentou desautorizar o encontro e esvaziar qualquer expectativa de decisão local. Disse que o diretório estadual não teria poder para deliberar sobre o tema e que tudo dependeria da instância nacional. Foi ainda mais enfático ao cravar: “Não adianta dizer que vai decidir, não vai decidir. Vai decidir lá em cima”.

Clique AQUI e veja as declarações de Ricardo antes da reunião do PT
A vida real
A realidade política tratou de contrariar a previsão. No sábado, o PT da Paraíba oficializou sua posição, alinhado com a direção nacional, consolidando a aliança e avançando na construção da chapa com Lucas Ribeiro. No domingo, o presidente nacional do partido, Edinho Silva, reforçou o movimento, agradecendo a parceria e dando respaldo público à decisão.
Desde então, Ricardo Coutinho se recolheu. Acompanhamos suas redes sociais e vimos que sua última postagem foi às 19h30 deste domingo, num vídeo em que recebe apoio da Associação dos Pequenos Produtores de Timbaúba e Araras da cidade de Esperança. Antes da Plenária do PT, na quinta-feira (9), exibiu o que chamou de “TBT da Coragem”, com uma foto dos anos 90, ao lado do presidente Lula – um gesto que, naquele momento, soava como posicionamento prévio dentro do embate que travava com seu partido.
Nenhuma linha sobre o PT, nenhuma reação pública, nenhum comentário sobre a decisão que contrariou frontalmente sua leitura política.
O Norte Online tentou contato com Ricardo, encaminhando-lhe três perguntas básicas: 1)- Como o senhor viu o apoio do PT a Lucas Ribeiro? 2)- Na sua opinião, quem deve ser o vice? 3)- O senhor sobe no palanque com João Azevedo?
Até o fechamento desta matéria, o ex-governador não havia respondido a nenhuma das nossas perguntas. E esse silêncio abre espaço para interpretações.
Pode ser um silêncio de acomodação, típico de quem reconhece a correlação de forças e opta por não tensionar ainda mais o ambiente. Pode ser também um silêncio estratégico, de quem prefere reorganizar o discurso antes de voltar ao debate público. Há ainda a possibilidade de ser um silêncio de inconformismo, uma pausa antes de uma reação mais contundente.
O fato é que, dias antes, Ricardo falou – e falou com clareza. Apostou que não haveria decisão. Disse que o diretório estadual não tinha poder. Indicou que tudo dependeria de Brasília.
Nada disso se confirmou. E, diante disso, o silêncio acabou falando por ele.