quinta-feira, 30 de abril de 2026
Silêncio de Daniela na votação entra em choque com elogios a Alcolumbre na véspera
30/04/2026 05:48
Redação ON Reprodução

Três dias antes da votação que rejeitou o nome de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal, a senadora Daniela Ribeiro já havia dado um sinal político que agora ganha outro peso. Em publicação nas redes sociais, ela apareceu ao lado do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, em um tom de forte proximidade pessoal e política. Falou em “alegria” pela visita do “querido amigo”, destacou “admiração profunda” por sua trajetória e elogiou características como “carinho, atenção, respeito e humildade”. Não foi um gesto protocolar. Foi uma demonstração pública de alinhamento.

À luz do que aconteceu no plenário, o silêncio posterior de Daniela na votação deixa de ser apenas uma escolha regimental e passa a ser interpretado como parte de um comportamento político mais amplo. Enquanto evitou explicitar apoio ao indicado do presidente Lula em uma decisão crucial, a senadora não hesitou em tornar pública sua relação com uma das principais figuras de articulação do Senado.

Esse contraste produz efeito direto na política da Paraíba. O Progressistas, partido de Daniela, tenta construir uma aproximação com o campo governista, inclusive com negociações que envolvem a participação do PT na chapa majoritária liderada por Lucas Ribeiro, seu filho. Nesse cenário, a ausência de um posicionamento claro no Senado fragiliza o discurso de alinhamento e abre espaço para desconfianças.

Postagem de Daniella 3 dias atrás

A situação se torna ainda mais sensível porque ocorre logo após um episódio envolvendo o próprio Lucas Ribeiro, que havia se exposto publicamente, pedindo pra fazer “dois LL”, em apoio a Lula e acabou sendo criticado por setores do MDB. Enquanto o filho fez um gesto explícito, a mãe adotou uma postura de silêncio em um momento decisivo, criando um desalinhamento político dentro do grupo.

Quem capitalizou esse espaço foi o senador Veneziano Vital do Rêgo. Mesmo com o voto sendo secreto, decidiu torná-lo público, declarando apoio ao indicado do presidente. Com isso, se posiciona de forma clara no campo governista e ganha protagonismo no estado.

Na outra ponta, Efraim Filho tratou o resultado como derrota do governo Lula e reforçou sua posição de oposição, explorando politicamente o desfecho da votação.

O episódio vai além da rejeição de um nome ao Supremo. Na Paraíba, ele expõe um jogo de sinais e omissões. E, no caso de Daniela Ribeiro, o silêncio no plenário parece ter começado dias antes — e agora cobra seu preço político.

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