quinta-feira, 30 de abril de 2026
Após fracasso no Senado, Lula coloca ministros Frederico Siqueira e Gustavo Feliciano na linha de corte
30/04/2026 07:50
Redação ON Reprodução

A derrota do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Senado, com a rejeição do nome de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal, abriu uma crise política que já começa a produzir efeitos concretos – e a Paraíba aparece, de forma direta, no centro desse abalo.

Horas depois da votação, que marcou a primeira rejeição a um indicado ao STF desde 1894, o Palácio do Planalto iniciou um movimento silencioso e estratégico: mapear quem votou contra, identificar dissidências internas e entender onde o governo perdeu controle. Mais do que diagnóstico, o clima é de reação. E a possibilidade de retaliação deixou de ser apenas especulação de bastidor.

Nesse cenário, dois ministros paraibanos passaram a ser citados como possíveis alvos de uma eventual reorganização ministerial: Frederico Siqueira, das Comunicações, e Gustavo Feliciano, do Turismo. Ambos são associados politicamente ao grupo do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, apontado por aliados de Lula como um dos principais articuladores da derrota.

A leitura dentro do governo é simples: indicações ligadas a partidos ou lideranças que não entregaram votos podem ser revistas. Nesse contexto, União Brasil e setores do MDB e PSD entraram no radar do Planalto como focos de infidelidade.

Em reunião no Palácio da Alvorada logo após a votação, auxiliares do presidente identificaram um possível “conluio” político que teria envolvido, além de Alcolumbre, o senador Rodrigo Pacheco e até o ministro Alexandre de Moraes, dentro de uma articulação para barrar o nome de Messias.

Outro núcleo sob suspeita é o MDB de Alagoas, especialmente o senador Renan Calheiros e o ex-ministro Renan Filho. A avaliação interna é de que ambos podem ter atuado contra a indicação em alinhamento com interesses ligados ao Tribunal de Contas da União, onde o nome de Bruno Dantas também era ventilado para a vaga.

O placar final – 34 votos favoráveis e 42 contrários – expôs uma falha grave na articulação política conduzida pelo governo no Congresso. A expectativa inicial era de aprovação com margem confortável, o que amplia o desgaste de lideranças como Jaques Wagner e José Guimarães, responsáveis pela interlocução com o Legislativo.

Apesar do ambiente de tensão, a orientação pública é de cautela. O próprio Lula tem repetido a interlocutores que decisões não devem ser tomadas “a 39 graus de febre”, indicando que qualquer movimento mais duro – como demissões – deve ocorrer apenas após um levantamento completo das responsabilidades.

No caso da Paraíba, além da situação dos dois ministros, há um outro ponto sensível ainda em aberto. O Palácio do Planalto também observa, ainda que com discrição, o comportamento da senadora Daniela Ribeiro. Recém-integrada ao campo de apoio do governo no estado, ela optou pelo silêncio na votação. Nos bastidores, a leitura predominante é de que seu posicionamento teria sido contrário à indicação, embora sem participação em articulações mais amplas contra o governo.

A posição de Daniela ganha peso adicional por envolver diretamente o grupo político do governador Lucas Ribeiro, seu filho, e pela importância do alinhamento local com o PT. Até o momento, não há qualquer sinal público de reação do Planalto nesse caso específico, mas o episódio passa a ser mais um elemento de tensão dentro de uma base que, após a derrota, deixou de ser vista como plenamente confiável.

Ainda assim, sinais já foram emitidos. A inclusão de Gustavo Feliciano na agenda presidencial logo na manhã seguinte à derrota foi interpretada como um gesto político carregado de significado, num momento em que o governo revisa alianças e cobra fidelidade.

A percepção é de que a crise não termina na rejeição de um nome ao Supremo. Ela inaugura uma nova fase na relação entre o Planalto e sua base no Congresso — mais desconfiada, mais rígida e, possivelmente, mais punitiva.

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