segunda-feira, 15 de junho de 2026
Saiba quais são os assessores do gabinete de Motta que estão sendo investigados em devassa inédita na Câmara
15/06/2026 08:45
Redação ON Reprodução

Uma investigação interna em curso na Câmara dos Deputados resultou em uma medida inédita na história recente da instituição: o escrutínio técnico total das atividades e registros de computadores corporativos de 89 servidores da Casa. O procedimento ganhou contornos de crise política ao atingir em cheio o gabinete do atual presidente da Câmara, o paraibano Hugo Motta (Republicanos-PB), que teve seis de seus assessores diretos incluídos na lista de monitoramento da auditoria.

A varredura digital ocorre em um momento delicado para o parlamentar da Paraíba. O gabinete da presidência enfrenta forte desgaste técnico e político após relatórios de auditoria e investigações apontarem a existência de supostos “funcionários fantasmas” na equipe de Motta. Entre as servidoras investigadas pelos órgãos de controle por receberem remunerações sem a contraprestação devida de trabalho estão a fisioterapeuta Gabriela Pagidis, que atuava em clínicas particulares no Distrito Federal em horário de expediente; a estudante de medicina Louise Lacerda, matriculada em curso de regime integral na Paraíba; a assistente social Monique Magno, que mantinha emprego concomitante na prefeitura de João Pessoa; e Maria do Carmo Brito, ex-sogra do pai de Hugo Motta, que chegou a omitir seu salário da Câmara em ações judiciais para obter gratuidade de justiça. Diante da repercussão dos casos, o presidente optou pela exoneração preventiva de parte dessas funcionárias.

O pente-fino da Comissão Permanente de Disciplina da Câmara (Copedi) gerou um calhamaço de 814 páginas em formato PDF, reunindo metadados, históricos de navegação, horários de acessos ao sistema e processos consultados de diversas máquinas da estrutura federal. Além dos seis assessores ligados diretamente a Hugo Motta, a devassa alcançou o atual secretário-geral da Mesa Diretora, Lucas Ribeiro Almeida Jr., a secretária-geral-adjunta Christiane Satiê Moritsugu Bisinoto, a chefe de gabinete do 2º secretário da Casa, deputado Lula da Fonte (PP-PE), além de assessores seniores das lideranças do PT e da Minoria.

Apesar do forte clima de desconfiança nos bastidores do Congresso, o motivo formal do “crime” investigado não envolve, inicialmente, a folha de pagamento. A Copedi abriu a apuração para identificar a autoria de um vazamento de informações sigilosas à imprensa sobre diárias de uma viagem internacional cancelada do diretor-geral da Câmara, Guilherme Brandão, que iria a Lisboa. A Diretoria de Tecnologia da Informação rastreou computadores que buscaram palavras-chave como “missão oficial” e “Lisboa” para punir administrativamente o responsável pelo vazamento de dados internos.

Em nota oficial, a Mesa Diretora da Câmara dos Deputados defendeu a legalidade da medida, classificando o acesso aos computadores corporativos como um “dever legal de apuração da administração pública”. A instituição ponderou que a inclusão na lista de monitoramento técnico não significa, necessariamente, que todos os 89 servidores sejam formalmente culpados ou investigados por má-fé, mas sim que os cruzamentos de dados eram necessários para esclarecer a quebra de sigilo interno. A assessoria de Hugo Motta informou que o gabinete adota critérios rigorosos de fiscalização e que os servidores em regime remoto cumprem metas específicas fixadas pela Casa.

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