Indicado pelo União Brasil e com forte ligação com a Paraíba, o ministro das Comunicações, Frederico Siqueira, deve deixar o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva até o fim de 2025. A informação circula com força nos bastidores de Brasília e foi confirmada por líderes do União Brasil a O Norte Online. A saída ocorre no contexto do esvaziamento da presença do partido no governo, em razão das eleições presidenciais de 2026.
Frederico é natural de Pernambuco, mas mora em João Pessoa e construiu sua carreira na Paraíba. Desde que assumiu o cargo tem incluído frequentemente o estado em sua agenda oficial. Recentemente, esteve em João Pessoa para tratar da ampliação da conectividade digital e da expansão da infraestrutura de telecomunicações em regiões do interior. Apesar disso, segundo os caciques da sigla, ele pode não esquentar a cadeira por muito tempo.
O movimento faz parte de uma reorganização política. O União Brasil fechou uma federação com o Progressistas (PP), comandado por Ciro Nogueira (PI), ex-ministro de Bolsonaro. O estatuto dessa nova federação, previsto para ser finalizado em julho, proibirá formalmente qualquer filiado de participar do governo Lula. Quem permanecer em cargos de primeiro escalão será considerado escolha pessoal do presidente petista.
Além de Frederico, o ministro do Turismo, Celso Sabino, também filiado ao União Brasil, está na lista dos que devem deixar o Executivo. A exceção seria Waldez Góes (Integração e Desenvolvimento Regional), que não é filiado à legenda e foi uma indicação do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (AP).
A aliança entre União Brasil e PP tem como meta fortalecer um projeto de centro-direita para 2026, com o nome do governador paulista Tarcísio de Freitas (Republicanos) despontando como principal aposta para a disputa presidencial.
Com isso, a permanência de Frederico Siqueira no Ministério das Comunicações se torna insustentável politicamente. A Paraíba, que comemorou sua nomeação, pode em breve ver seu representante fora da Esplanada. Em Brasília, já se diz que ele “não vai nem esquentar a cadeira por muito tempo”.

