Noutra época, o casarão pertenceu ao temido Coronel Gomes, homem de poder áspero e com fama cruel devido a acusações de abusos e assassinatos que ecoaram por todo o sertão. O filho, Zé Gomes, herdou as terras e a dureza do pai, perpetuando um legado de opressão. Tempos depois, foi encontrado morto ao lado de uma jovem, em uma cena oficialmente tratada como suicídio por envenenamento, mas cercada de suspeitas que nunca se calaram.
Anos mais tarde, Aroeira volta a estremecer quando dois corpos desconhecidos aparecem boiando na fonte do sobrado, como se o passado viesse à tona para cobrar dívidas. O delegado Tião recorre ao experiente inspetor Pingo D’Água, conhecido pela habilidade em desvendar crimes complexos. À medida que a investigação avança, as pistas conduzem às feridas abertas desta impetuosa família. Enquanto isso, surge Fedorento, o enigmático flautista da praça, que observa tudo em silêncio, como quem guarda informações ocultas que o tempo ainda não conseguiu apagar.
Finalmente, chegaram ao local do ocorrido. Como sempre, já havia uma grande aglomeração, o jeito era dispensar todos do local. Pingo esperou a reação do delegado, afinal ele apenas investigava, não delegava nada. Como o delegado não tomou nenhuma providência, ele agiu. Re- solveu expulsar todos dali e o fez. Precisava de cada prova ou indícios de algo maior que se podia observar. Detalhes imperceptíveis, por exemplo. Olhos atentos.
(Mortes no Sobrado, p. 52)
Com elementos culturais e expressões próprias do sertão paraibano, a trama combina a investigação policial em estilo clássico — conduzida com pistas e reviravoltas — a elementos de crenças populares, segredos familiares e traumas. Assim, o mistério ultrapassa o crime e imerge nas camadas mais profundas da memória e da identidade de um povo marcado pelas próprias lendas. “Embora seja um romance policial, a obra também se apoia em ambientação regional e linguagem típica, o que dá profundidade cultural e senso de lugar à narrativa”, explica Fátima Sá Paraíba.
Apesar da escuridão que envolve os crimes, Mortes no Sobrado ilumina a busca incansável por justiça como força capaz de romper ciclos de opressão. Ao longo da investigação, a persistência do bem se revela nos gestos firmes e na consciência ética do inspetor, cuja trajetória pessoal também é atravessada por dúvidas e conflitos. É nesse percurso que surge a possibilidade de redenção, mostrando que, mesmo em meio às sombras, ainda há espaço para transformação.
FICHA TÉCNICA
Título: Mortes no Sobrado
Subtítulo: Mistérios no sertão da Paraíba
Autora: Fátima Sá Paraíba
Editora: Fonte de Papel Editora
ISBN/ASIN: 978-65-5340-0009-2
Páginas: 218
Preço: R$ 59,90
Onde comprar: Fonte de Papel Editora
Sobre a autora: Nascida em São José da Lagoa Tapada (PB), Fátima Sá Paraíba é professora, formada em Letras, especialista em Literatura Brasileira pela UFPB e em Serviço Social pela Estácio de Sá. Autora de obras como Rompendo a Aurora entre Versos, Rimas e Prosa e Meu Sertão entre Rimas e Refrão, ela constrói uma escrita que une rigor acadêmico e sensibilidade poética. O seu lançamento, o suspense policial Mortes no Sobrado, convida o leitor a refletir sobre a persistência do mal, ao mesmo tempo em que aborda a incansável busca por justiça e redenção.
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