A Frente Nacional de Defesa dos Jumentos faz um ato neste domingo (18), das 10h às 11h, na Praça Oswaldo Cruz, no início da Avenida Paulista, para marcar dez anos de mobilização contra o abate desses animais no país. A Frente foi criada em 2016, quando o governo da Bahia autorizou o abate de jumentos no estado, e reúne organizações de defesa animal e ativistas. Desde então, pede o fim do abate e a criação de santuários públicos para acolher os animais. Em julho de 2023, levou à mesma avenida a Quinta Ação Nacional Contra o Abate de Jumentos, com atos previstos em outras 14 capitais.
Nos últimos anos, o abate de jumentos no Brasil se concentrou em três frigoríficos da Bahia e atendeu sobretudo à exportação da pele para a China, onde ela é matéria-prima do ejiao, gelatina usada na medicina tradicional chinesa. Levantamento de pesquisadores com dados da FAO, do IBGE e do Agrostat, do Ministério da Agricultura, aponta queda de 94% na população brasileira de jumentos entre 1996 e 2024. A reposição é lenta, porque a gestação da jumenta dura cerca de um ano. A organização britânica The Donkey Sanctuary, que mantém campanha no Brasil, projeta risco de extinção dos jumentos brasileiros até 2030 se o ritmo de perda continuar.
Em 13 de abril, uma sentença da 1ª Vara Federal da Seção Judiciária da Bahia proibiu o abate de jumentos, mulas e bardotos no estado, na ação civil pública que a Frente e outras entidades de proteção animal movem desde 2018. A decisão admite recurso, e por isso as entidades defendem uma lei nacional. No Senado, o Projeto de Lei 2.613/2026, que proíbe o abate de jumentos em todo o território nacional, nasceu de uma sugestão do Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal no portal e-Cidadania e aguarda parecer na Comissão de Agricultura e Reforma Agrária. Na Câmara, o PL 2.387/2022, que veda o abate para consumo, comércio ou exportação, aguarda votação na Comissão de Constituição e Justiça.
“O abate de jumentos é uma tragédia, e nem a sentença que o proibiu na Bahia tem sido suficiente para acabar com as mortes”, afirma a advogada Gislane Brandão, coordenadora-geral da Frente. “Precisamos que o governo federal determine o fim imediato do abate. É uma medida justa, num país que já perdeu 94% dos seus jumentos, e será recebida com muita simpatia pela população.”
O ato tem apoio da aica (ativistas independentes pela causa animal), braço de responsabilidade social da agência ADAG Comunicação. O material de comunicação desenvolvido, tanto para o ambiente digital como para o evento presencial, traz a frase “Pelo fim do abate dos jumentos” e, num dos adesivos, “O jumento é nosso irmão”, que Luiz Gonzaga cantou em defesa do animal.
“Mesmo no meio de uma eleição tão importante, não é possível deixar os jumentos para depois, porque corremos contra o tempo”, diz Sol Teixeira, diretora da aica. “Seguimos mobilizados durante todos estes anos para mostrar que ‘ainda estamos aqui’, parafraseando o título do livro de Marcelo Rubens Paiva. Queremos acabar com o sofrimento dos jumentos e com a ameaça de extinção, duas coisas que a Constituição proíbe.” Banners e cards citam o artigo 225, artigo VII, da Constituição Federal, que atribui ao poder público a proteção da fauna e veda, na forma da lei, práticas que provoquem a extinção de espécies ou submetam os animais a crueldade.
Serviço
O quê: ato pelo fim do abate de jumentos, nos dez anos da Frente Nacional de Defesa dos Jumentos
Quando: domingo, 18 de outubro de 2026, das 10h às 11h
Onde: Praça Oswaldo Cruz, no início da Avenida Paulista, São Paulo (SP)
Como chegar: estações Paraíso (Linhas 1-Azul e 2-Verde) e Brigadeiro (Linha 2-Verde) do Metrô. Ao lado da praça, o Shopping Pátio Paulista (Rua Treze de Maio, 1947) tem estacionamento.
Aberto ao público.
Realização: Frente Nacional de Defesa dos Jumentos
Apoio: acia – ativistas independentes pela causa animal, braço de responsabilidade social da ADAG Comunicação Ltda.
Sobre a aica
A aica – ativistas independentes pela causa animal foi criada pela ADAG Comunicação, agência fundada em 1970, como sua ação de responsabilidade social na defesa dos animais. Dirigida por Sol Teixeira, reúne ativistas independentes e conta com a criação e a produção da agência. Entre suas ações recentes estão o trabalho pelos 25 anos do Instituto Nina Rosa; o filme “Vida de Touro”, contra os rodeios; a participação nas campanhas pelo fim da exportação de animais vivos, inclusive a elaboração do logotipo “Não Exporte Vidas”; a criação do logotipo do grupo de ativistas Animalistas; e a campanha (com a criação e produção de vários materiais: site, cards para redes, impressos para manifestação e o vídeo feito em inteligência artificial) em parceria com diversas outras entidades, que acompanhou todo o processo de transferência do elefante Sandro de Sorocaba para o Santuário de Elefantes Brasil, que culminou em setembro de 2026.

