Revista Veja expõe dilema de Lula na Paraíba entre Veneziano e Nabor
24/04/2026 13:30
Redação ON Reprodução

A política da Paraíba, frequentemente tratada como assunto doméstico, ganhou vitrine nacional ao ocupar quatro páginas da revista Veja neste fim de semana. O foco: o dilema do presidente Lula diante da disputa por uma das vagas ao Senado no estado. Mas, embora a reportagem acerte ao identificar o impasse, ela passa ao largo de um ponto essencial para entender o tabuleiro completo.

Hoje, o cenário paraibano já tem uma base praticamente definida. Há uma aliança sólida entre o PT de Lula e o PP do governador Lucas Ribeiro. Esse bloco, na prática, organiza o campo governista e estabelece um acordo importante: o PT terá o direito de indicar o candidato a vice na chapa majoritária. É esse movimento que ancora a presença de Lula na disputa local.

Dentro desse arranjo, há um consenso político relevante: Lula deve apoiar o nome do ex-governador João Azevêdo para o Senado. Essa é a peça menos controversa do quebra-cabeça. O problema – e é aí que a Veja acerta ao apontar o conflito – está na segunda vaga.

É nesse ponto que o presidente entra na zona de tensão. De um lado, aparece Nabor Wanderley, ex-prefeito de Patos e pai do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta. Apoiar esse campo significa manter alinhamento direto com uma das figuras mais influentes do Congresso Nacional, peça-chave para a governabilidade em Brasília.

Do outro lado, está Veneziano Vital do Rêgo, senador que busca a reeleição. Aliado de Lula, Veneziano carrega ainda um peso institucional adicional: é irmão de Vital do Rêgo Filho, presidente do Tribunal de Contas da União. Ou seja, a escolha também dialoga com a relação do Planalto com um dos órgãos mais sensíveis da República.

A revista descreve esse cenário como um típico dilema lulista, baseado no pragmatismo e na tentativa de equilibrar forças. Mas, na prática, o problema é ainda mais complexo. Não se trata apenas de agradar aliados políticos, mas de evitar atritos simultâneos com dois polos de poder – o Congresso e o TCU.

A reportagem também destaca que Lula, ao longo da carreira, sempre construiu saídas negociadas, muitas vezes ampliando alianças para garantir estabilidade. A diferença agora é que o espaço para acomodação parece mais estreito. Na Paraíba, apoiar um lado significa, inevitavelmente, criar ruído com o outro.

Outro ponto levantado é o risco de fragmentação. Com mais de um nome competitivo dentro do mesmo campo político, a divisão de forças pode abrir espaço para candidaturas fora do eixo governista, alterando o equilíbrio da disputa.

O que a Veja mostra, ainda que parcialmente, é que a eleição na Paraíba deixou de ser um assunto regional. O estado virou ponto de interseção entre interesses políticos e institucionais de alcance nacional.

Mas o quadro só fica completo quando se entende que Lula já tem um pé fincado no palanque local, por meio da aliança com o governo estadual. O dilema não é sobre entrar no jogo – isso já aconteceu. O impasse real é como permanecer nele sem provocar um efeito dominó em Brasília.

O fato é que a Paraíba virou mais do que uma eleição. Virou um teste de equilíbrio político para Lula – daqueles em que qualquer passo em falso cobra preço alto

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