Enquanto a maioria das emissoras do mundo todo interrompeu suas programações para cobrir a morte do papa Francisco, a TV Record optou por seguir com a grade normal ao longo desta segunda-feira, 21. A confirmação do falecimento, divulgada pelo Vaticano às 7h35 (horário de Roma), mobilizou veículos de imprensa internacionais e nacionais. No Brasil, canais como Globo, SBT e Band deram prioridade ao noticiário, com transmissões especiais, entradas ao vivo, entrevistas e análises sobre o impacto da perda do líder máximo da Igreja Católica.
Já na Record, emissora controlada pela Igreja Universal do Reino de Deus, a ordem foi diferente. Segundo apurou a coluna ‘Gete’(Veja online), a determinação partiu da direção geral — ou seja, do próprio Bispo Edir Macedo. A orientação era para que fosse feita apenas uma menção breve durante uma entrada ao vivo do JR 24h, sem cobertura contínua sobre o assunto. Ao longo do dia, a emissora focou sua programação em atrações de entretenimento e noticiários locais, como se nada tivesse acontecido.
O comportamento da Record diante da morte do papa Francisco não é isolado. A relação entre a Igreja Universal e a Igreja Católica já teve episódios de hostilidade explícita. Um dos casos mais notórios ocorreu em 1995, quando o bispo Sérgio Von Helder, durante um culto transmitido pela própria TV Record, chutou uma imagem de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil. A cena causou enorme comoção nacional e internacional, levando Von Helder a deixar o país após a forte repercussão negativa.
O gesto, à época, evidenciou a postura de confronto adotada pela Universal em relação à fé católica. Em momentos como o falecimento do líder máximo do catolicismo, seria esperado um gesto de respeito entre diferentes expressões religiosas. No entanto, ao ignorar a morte do papa Francisco em sua cobertura, a Record mais uma vez demonstrou a distância — e a hostilidade — que marca sua relação histórica com a Igreja Católica.

