sexta-feira, 7 de agosto de 2026
Quem ficou contra e quem ficou a favor da maluquice FIFA? Veja a posição do Brasil
07/08/2026 10:39
Redação ON Reprodução

A tentativa da FIFA de abrir suas principais competições ao capital privado provocou uma divisão no futebol mundial e colocou o Brasil no grupo de países que se posicionaram contra o projeto comandado pelo presidente da entidade, Gianni Infantino. A reação foi tão forte que a FIFA acabou recuando e abandonando a iniciativa, mas a crise deixou expostas as diferenças entre algumas das principais federações do planeta.

O projeto, chamado FIFA Forward Enterprise (FFE), previa a entrada de investidores privados no negócio envolvendo competições organizadas pela entidade, entre elas o Mundial de Clubes de 2029 e a Copa do Mundo de 2030. Na prática, significaria abrir parte da exploração comercial desses torneios ao capital externo.

O levantamento mostra que o Brasil ficou entre as associações que se manifestaram contrárias à proposta. A posição brasileira ganhou peso por partir da principal federação da América do Sul em termos esportivos e comerciais e por colocar a CBF em campo diferente daquele escolhido pela Argentina.

O presidente da CBF manifestou oposição ao projeto. Com isso, o Brasil se juntou a um amplo movimento internacional de resistência a Infantino, especialmente na Europa, onde a UEFA assumiu a linha de frente contra a iniciativa.

Europa puxou reação contra a FIFA

A resistência foi particularmente forte entre os europeus. As 55 federações filiadas à UEFA rejeitaram coletivamente o FIFA Forward Enterprise, embora algumas tenham adotado posições ainda mais duras individualmente.

Alemanha e Holanda defenderam mudanças na cúpula do futebol mundial. Inglaterra e País de Gales pediram uma revisão da liderança, enquanto Dinamarca, Finlândia, Sérvia e Suécia retiraram o apoio a Infantino.

Irlanda e Noruega foram além e chegaram a ameaçar deixar o projeto caso ele avançasse. França, Bélgica, Escócia e Eslováquia também rejeitaram a proposta. Albânia, Armênia, Bósnia e Herzegovina, Letônia, Macedônia e San Marino ficaram igualmente no campo contrário.

Fora da Europa, a resistência também apareceu com força. As 41 associações integrantes da Concacaf se posicionaram coletivamente contra o projeto. Entre os países com manifestações próprias ou adesões públicas ao posicionamento estão Canadá, Costa Rica e Estados Unidos.

Austrália criticou o processo conduzido pela FIFA, Jordânia informou que não apoiaria Infantino e Nova Zelândia rejeitou a proposta.

Brasil e Argentina ficaram em campos opostos

Na América do Sul, o episódio produziu uma divisão particularmente simbólica entre as duas maiores potências do continente.

Enquanto o Brasil se posicionou contra o projeto, a Argentina declarou apoio à continuidade de Gianni Infantino depois da crise. O Paraguai também respaldou o presidente da FIFA.

A divergência mostra que a discussão ultrapassou a proposta financeira propriamente dita. O fracasso do FIFA Forward Enterprise abriu um debate sobre a própria liderança de Infantino, já que algumas federações passaram da crítica ao projeto para questionamentos diretos sobre a condução da entidade.

Quem ficou contra

Além do Brasil, aparecem entre as federações com manifestações contrárias Alemanha, Albânia, Armênia, Bósnia e Herzegovina, Bélgica, Dinamarca, Escócia, Eslováquia, Finlândia, França, País de Gales, Inglaterra, Irlanda, Letônia, Macedônia do Norte, Noruega, Países Baixos, San Marino, Sérvia, Suécia, Canadá, Costa Rica, Estados Unidos, Austrália, Jordânia e Nova Zelândia.

O bloco contrário é ainda maior quando consideradas as manifestações coletivas: todas as 55 associações da UEFA rejeitaram o projeto, assim como as 41 integrantes da Concacaf.

Quem ficou ao lado de Infantino

Do outro lado, o grupo de manifestações públicas favoráveis é bem menor. Argentina e Paraguai apoiaram Infantino na América do Sul. O México respaldou sua liderança na Concacaf.

Marrocos também saiu em defesa do dirigente. Na Ásia, Infantino recebeu manifestações favoráveis de Butão, Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Qatar e Sri Lanka.

Indonésia foi além e apoiou explicitamente o FIFA Forward Enterprise, enquanto as Filipinas manifestaram apoio tanto a Infantino quanto aos objetivos do projeto.

Embora a FIFA tenha desistido da iniciativa, a crise deixou uma fotografia política importante do futebol internacional. De um lado, uma ampla frente de federações, com Brasil e praticamente toda a Europa, resistente à abertura do negócio das grandes competições ao capital privado. Do outro, um grupo menor disposto a preservar o apoio político a Infantino.

Para o Brasil, a posição também representa um recado: na maior crise política recente envolvendo o comando da FIFA, a CBF preferiu ficar no campo da contestação — e não entre os aliados de Infantino.

Renovação de Vinícius abre novo capítulo e ajuda a cicatrizar ferida com Mourinho no Real Madrid

A renovação de Vinícius Júnior com o Real Madrid até 2032 marca não apenas a continuidade de um dos principais jogadores do clube, mas também simboliza o encerramento de um dos capítulos mais delicados da última temporada. No retorno aos treinamentos, o atacante brasileiro voltou a encontrar José Mourinho pela primeira vez desde a polêmica envolvendo a denúncia de racismo durante o confronto contra o Benfica, em fevereiro, em Lisboa.

Na ocasião, Vinícius afirmou ter sido alvo de uma ofensa racista do argentino Gianluca Prestianni. O episódio provocou a interrupção da partida, mobilizou o protocolo antirracismo da Uefa e gerou uma troca pública de declarações entre o brasileiro e Mourinho, que criticou a forma como o atacante comemorou o gol e administrou o ambiente da partida.

Agora, o cenário é outro. A permanência de Vinícius no Real Madrid e a retomada do convívio com o treinador mostram que o futebol conseguiu fazer o que dele se espera: preservar a seriedade de uma denúncia de racismo sem permitir que ela se transforme em uma disputa eterna entre personagens que precisam conviver profissionalmente.

O episódio jamais deve ser tratado como algo menor. Denúncias de racismo exigem investigação, punição quando comprovadas e tolerância zero por parte das autoridades esportivas. Mas o esporte também depende da capacidade de reconstruir relações depois que os fatos são apurados. O reencontro entre Vinícius e Mourinho representa justamente essa maturidade: não apaga o que aconteceu em Lisboa, mas demonstra que é possível cicatrizar uma ferida sem fingir que ela nunca existiu.

Com o contrato renovado até 2032, Vinícius inicia a temporada como uma das principais lideranças do elenco merengue. Caberá a Mourinho explorar novamente o melhor futebol do brasileiro e encontrar o equilíbrio que tantos técnicos buscaram entre ele e Mbappé. Se dentro de campo a missão é transformar talento em títulos, fora dele a convivência entre ambos mostra que, no futebol, o bom senso costuma ser o único caminho capaz de preservar o espetáculo sem ignorar temas tão graves quanto o racismo.

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