Quando um não quer, dois não brigam: Lucas deixa Léo falando sozinho na crise do lixo
03/07/2026 19:49
Redação ON Reprodução

A crise da coleta de lixo em João Pessoa ganhou contornos de clássica disputa de calçada da nossa infância. Sabe aquela cena clássica em que um moleque, aperreado com as provocações, pega um graveto, risca o chão e desafia o rival: Passe daqui se for homem? Pois bem. O prefeito Léo Bezerra (PSB) resolveu traçar a sua linha.

Pressionado pelos sacos de lixo acumulados na capital, Léo cansou de ficar na defensiva. Em vez de apenas explicar os problemas da limpeza urbana, resolveu apontar o dedo para o quintal do vizinho — no caso, o Palácio da Redenção. Em entrevista ao Correio Debate, disparou contra a Cagepa e a poluição das praias, praticamente chamando o governador Lucas Ribeiro (PP) para resolver a parada na mão.

A provocação de Léo foi direta: Ele disse que não é porque está faltando água todos os dias praticamente em João Pessoa que ele está dizendo que tem uma crise de água, e completou afirmando que não vai permitir fazer política com isso.

Deixa ele falando sozinho

A estratégia do prefeito foi clara: tentar trazer o Estado para a lama do debate do lixo e dividir o desgaste. Só que, nos bastidores governistas, a ordem foi direta e bem pragmática: Deixa o Léo falando sozinho.

Como Lucas Ribeiro lidera as pesquisas e tenta consolidar seu projeto político, entrar em briga de rua agora seria uma tremenda perda de tempo e de votos. O governador preferiu a postura do menino diplomático, aquele que a mãe chama para lanchar bem na hora que a confusão vai começar.

Quando um não quer, dois não brigam

Com uma elegância que flerta com a ironia, Lucas Ribeiro deu uma verdadeira aula do velho ditado popular. Em resposta rápida nesta sexta-feira, o governador simplesmente fingiu que não viu o risco no chão e passou direto.

Enquanto Léo criticou a falta d’água da Cagepa, a balneabilidade das praias e tentou estadualizar a crise do lixo, Lucas rebateu prometendo focar em uma postura técnica e institucional. O governador disse que as portas estão abertas e justificou as falas de Léo por um momento sensível. Para demonstrar que não quer guerra, Lucas foi entregar ônibus escolares até para prefeitos de oposição.

O governador afirmou que o seu papel não é tensionar com o prefeito Léo Bezerra, nem com qualquer outro prefeito. Lucas pontuou que sabe que o prefeito está num momento sensível, onde precisa se engajar no projeto do ex-prefeito dele, mas garantiu que da parte dele não vai haver esse tensionamento. Respondeu com a tranquilidade de quem está assistindo à briga de camarote.

O veredito da calçada

No fim das contas, Léo Bezerra ficou com o graveto na mão, olhando para o risco que desenhou no chão da Epitácio Pessoa. Lucas Ribeiro aplicou a tática da geladeira cheia: ignorou a provocação, manteve a pose de gestor focado e deixou o prefeito de João Pessoa falando com os botões — e com os sacos de lixo.

Resta saber se Léo vai insistir em apagar o risco ou se vai procurar outro brinquedo para tentar chamar a atenção do governador.

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