Primeiros resultados são esperados nesta terça-feira, a partir das 20h de Brasília; controle do Congresso pode continuar indefinido após a madrugada
Os primeiros resultados das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos são esperados a partir das 20h desta terça-feira (3), no horário de Brasília. Mas a resposta à pergunta que concentra as atenções — Donald Trump manterá o apoio da maioria do Congresso? — pode demorar dias. Diferentemente do Brasil, onde as urnas eletrônicas permitem conhecer os principais vencedores poucas horas depois da votação, os americanos convivem com uma apuração descentralizada e com prazos diferentes para processar os votos.
Não existe um horário marcado para anunciar quem controlará a Câmara e o Senado. Muitas disputas poderão ser resolvidas ainda nesta noite ou durante a madrugada. Se, porém, a maioria depender de algumas corridas apertadas, será necessário aguardar a contagem de cédulas que podem alterar o resultado.
Em 2022, a definição do controle do Senado demorou quatro dias. Na Câmara, foram oito. O precedente ajuda a dimensionar a espera, mas não estabelece um prazo para a eleição deste ano.
Os horários para acompanhar
O encerramento da votação ocorre em etapas, conforme os fusos e as regras locais. Pelo horário de Brasília:
● 20h de terça-feira: começam a fechar as primeiras seções, em partes de Indiana e Kentucky.
● 21h a 23h: a votação termina em uma grande sequência de estados, ampliando o volume de resultados disponíveis.
● 1h de quarta-feira: fecham as urnas na Califórnia e em Washington.
● 3h de quarta-feira: termina a votação nas últimas localidades do Alasca.
Ou seja: quando o brasileiro estiver entrando na madrugada, ainda haverá americanos votando.
Por que demora mais do que no Brasil?
No Brasil, cada urna eletrônica contabiliza os votos da própria seção e gera um Boletim de Urna. Esses resultados são transmitidos à Justiça Eleitoral e somados na totalização. A divulgação nacional pelo TSE permite acompanhar o avanço da contagem em um sistema integrado.
Nos Estados Unidos, a administração das eleições cabe a autoridades estaduais e locais. Há diferentes procedimentos para receber, verificar e contar cédulas, inclusive as enviadas pelo correio. Os números divulgados na noite eleitoral são preliminares; a certificação oficial ocorre posteriormente, conforme o calendário de cada estado.
A Califórnia exemplifica essa diferença. O estado aceita votos pelo correio postados até o dia da eleição e recebidos até 10 de novembro. A contagem, portanto, continua depois desta terça-feira, o que pode ser decisivo caso o controle da Câmara dependa de disputas californianas equilibradas.
É preciso distinguir, ainda, a projeção de um vencedor do encerramento oficial da apuração. Agências de notícias e emissoras anunciam quem venceu quando os dados permitem uma conclusão segura. Isso não interrompe a contagem nem substitui a certificação pelas autoridades eleitorais.
Trump enfrenta as urnas com 32% de aprovação
Embora não dispute um cargo nesta eleição, Trump está no centro do julgamento político. Pesquisa Reuters/Ipsos realizada entre 29 de outubro e 2 de novembro aponta aprovação de apenas 32% ao seu governo. O levantamento ouviu 1.765 adultos americanos.
Na mesma pesquisa, entre eleitores registrados, 46% disseram preferir candidatos democratas ao Congresso, contra 38% que escolheram republicanos. Essa vantagem nacional não garante o controle das Casas: a composição depende dos resultados de cada distrito e estado.
Uma maioria democrata poderá dificultar a aprovação de projetos e ampliar a fiscalização sobre o governo. A manutenção do controle republicano, por sua vez, dará a Trump melhores condições para fazer avançar sua agenda.
Para quem acompanhar do Brasil, a expectativa é conhecer muitos vencedores nas próximas horas. Saber quem terá força para apoiar ou conter Trump pelos próximos dois anos, porém, pode exigir uma espera bem maior.

