PT de Campina atropela Cida Ramos e se antecipa ao partido na disputa pelo Senado
19/04/2026 15:09
Redação ON Reprodução

A nota assinada por Pedro Netho, presidente do diretório municipal do PT de Campina Grande, vai além de um posicionamento protocolar. Ela cumpre dois movimentos claros: primeiro, reafirma o alinhamento ideológico ao governo Lula e ao discurso nacional do partido; segundo, e mais relevante, entra diretamente no terreno da disputa local ao indicar, ainda que de forma política e não formal, preferência pelas pré-candidaturas de Veneziano Vital do Rêgo e João Azevêdo ao Senado. O pior é que todo esse barulho acontece no momento em que o PT está buscando um nome para compor a chapa de Lucas Ribeiro como candidato a vice.

O conteúdo, em si, não traz grandes novidades no campo programático. Reproduz o discurso clássico do PT sobre reconstrução do país, defesa da democracia e crítica ao Congresso. Também reforça a narrativa de polarização com a direita, especialmente ao tratar da disputa pelo Senado como estratégica para conter adversários. Até aí, está dentro do script nacional do partido.

O ponto que chama atenção está na iniciativa política conduzida por Pedro Netho. O diretório municipal se antecipa a uma definição que, no plano estadual, vem sendo tratada com extremo cuidado. A condução da presidente estadual, Cida Ramos, foi justamente a de evitar movimentos precipitados, aguardando alinhamento com a direção nacional e, principalmente, com o próprio Lula. Esse cuidado não é casual: a montagem das chapas majoritárias envolve negociações delicadas, alianças amplas e equilíbrio entre diferentes forças.

Ao se posicionar publicamente, o PT de Campina Grande, sob a liderança de Pedro Netho, assume uma autonomia que, na prática, não costuma existir nesse nível de decisão. Ainda que diretórios municipais tenham liberdade para mobilizar suas bases, sinalizações sobre apoio em disputas majoritárias costumam ser centralizadas, justamente para evitar ruídos e contradições.

Há, portanto, um descompasso evidente. Enquanto a instância estadual adota cautela e disciplina estratégica, o diretório municipal acelera e se coloca como ator ativo na definição do cenário, o que, na prática, soa como uma desautorização política da condução feita por Cida Ramos.

Outro aspecto relevante é o conteúdo político da escolha. Ao citar simultaneamente Veneziano e João Azevêdo, a nota tenta acomodar dois polos distintos da política local dentro do mesmo campo de apoio a Lula. É uma construção que busca amplitude, mas que, na prática, pode esbarrar em contradições futuras, especialmente se essas candidaturas entrarem em rota de colisão mais direta.

No fim das contas, mais do que o apoio em si, o que a nota revela é uma disputa silenciosa por protagonismo dentro do próprio PT. Campina Grande, sob a assinatura de Pedro Netho, tenta marcar posição, mostrar força e influenciar o debate antes da decisão oficial. Resta saber se esse movimento será absorvido como parte do jogo interno ou tratado como um passo fora do compasso da estratégia maior do partido.

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