O projeto de extensão Terapia Assistida por Animais (TAA): Cães Solidários realizado pelo Centro de Ciências Médicas (CCM), da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), leva acolhimento, bem-estar e humanização ao ambiente hospitalar. A iniciativa utiliza cães terapeutas como facilitadores no cuidado à saúde, proporcionando momentos de interação, conforto e alegria aos pacientes durante o período de internação.
Atualmente, o projeto realiza ações no Hospital Universitário Lauro Wanderley (HULW) e no Hospital da Unimed João Pessoa, com visitas terapêuticas aos setores da clínica médica e da pediatria. Em média, são realizadas quatro visitas por mês, alcançando entre 120 e 200 pessoas mensalmente, incluindo pacientes, acompanhantes e profissionais das unidades hospitalares.
Para o professor do CCM e coordenador do projeto, Eduardo Sergio, as visitas têm se mostrado benéficas, com a redução da ansiedade e do estresse dos pacientes. “Entre os principais benefícios observados estão a redução da ansiedade e do estresse, melhora do humor, maior interação social, fortalecimento do vínculo entre pacientes e equipe de saúde, além de proporcionar momentos de alegria, acolhimento e conforto durante a internação”, ressalta.
A bolsista do projeto Vanessa Rodrigues afirma que participar da iniciativa tem sido uma das experiências mais transformadoras de sua trajetória acadêmica. Entre as lembranças que mais a emocionam está a relação construída entre os cães terapeutas e um paciente com síndrome de Down, que é internado com frequência na ala pediátrica.
“Sempre que chegamos ao hospital, a primeira coisa que ele faz é pedir para reunir todos os cães na entrada da clínica pediátrica para tirar uma foto com eles. Depois, pega as coleiras e faz questão de passear com cada um pelos corredores, como se, por alguns instantes, o hospital deixasse de ser um lugar de procedimentos e preocupações para se transformar em um espaço de alegria”, lembra Vanessa.

“A mãe conta que ele sempre pergunta quando os ‘cachorrinhos’ vão voltar e fica ansioso pela nossa visita. Quando chega a hora de irmos embora, ele costuma chorar porque não quer se despedir. Ouvir da família o quanto esse momento torna a internação mais leve é algo que não tem preço. É nesses instantes que percebemos que, muitas vezes, um simples carinho ou um passeio com um cachorro pode fazer muito mais do que imaginamos”, relata a bolsista.
Outro momento marcante, segundo Vanessa, acontece durante as visitas às crianças menores, muitas delas em seu primeiro contato com um animal.”Colocamos delicadamente o pezinho da criança em contato com a pelagem do cachorro e, de repente, surgem sorrisos, gargalhadas e olhares de encantamento. Ver a felicidade estampada no rosto dos pais ao presenciarem aquele momento nos faz entender que não estamos cuidando apenas dos pacientes, mas também oferecendo conforto e felicidade para toda a família”, diz. ” São experiências como essas que mostram que a terapia assistida por cães vai muito além de uma visita. Ela cria vínculos, desperta emoções e transforma, ainda que por alguns minutos, a realidade de quem está enfrentando um momento difícil”, explica.
Além dos cães, a equipe é formada por estudantes universitários, professores, voluntários e tutores dos animais. As visitas são realizadas em parceria com as equipes multiprofissionais dos hospitais, assegurando que as intervenções estejam alinhadas ao cuidado prestado aos pacientes.