João Pessoa, sábado, 26 de setembro de 2026
Proibição das bets: quem ganha e quem perde na disputa pelo voto?
26/09/2026 19:40
Redação ON Reprodução

A decisão do presidente Lula de proibir as bets, anunciada a apenas nove dias do primeiro turno, introduziu um novo ingrediente na disputa presidencial. De um lado, o governo tenta transformar a rejeição popular às apostas em apoio eleitoral. Do outro, Flávio Bolsonaro questiona a iniciativa e acusa o adversário de ter permitido a expansão de um setor que agora pretende extinguir. 

O tamanho dessa disputa aparece nos números. Pesquisa AtlasIntel/Bloomberg aponta que 75% dos brasileiros entrevistados apoiam a proibição das bets. Mas o mesmo levantamento revela uma contradição importante: 36% responsabilizam o próprio governo Lula pela disseminação das apostas no país. Outros 25,4% atribuem essa responsabilidade ao governo Bolsonaro. 

A repercussão da medida na imprensa e entre analistas políticos concentra-se em duas questões: a possibilidade de o governo ampliar o diálogo com mulheres e evangélicos, segmentos apontados como especialmente sensíveis aos problemas provocados pelas apostas, e o risco de enfrentar resistência entre apostadores, torcedores e setores econômicos ligados ao futebol. 

Há ainda um componente econômico importante. As bets movimentam bilhões de reais em publicidade, patrocinam clubes e representam uma fonte de arrecadação tributária. A proibição provoca reações de empresas, dirigentes esportivos e outros setores que dependem financeiramente dessa atividade. Também levanta dúvidas jurídicas sobre contratos e autorizações concedidas anteriormente pelo próprio governo. 

Flávio Bolsonaro procura explorar justamente essa contradição. Sua reação combina críticas ao governo pela regulamentação das apostas com a defesa de uma proposta diferente, que pretende atingir os cassinos virtuais e o chamado Jogo do Tigrinho, preservando as apostas esportivas. Assim, a discussão passa a envolver não apenas a proibição, mas também a responsabilidade pela expansão do setor e os limites de cada proposta. 

O momento escolhido para o anúncio também alimenta o debate. Com a eleição marcada para 4 de outubro, a medida chega quando Lula e Flávio disputam um eleitorado dividido. Pesquisas anteriores à decisão registravam uma disputa apertada entre os dois, especialmente nas simulações de segundo turno. 

Incógnita 

A grande incógnita é saber até que ponto a aprovação de uma medida se transforma em intenção de voto. Um eleitor pode defender o fim das bets e, ao mesmo tempo, responsabilizar o governo por sua expansão. Também pode concordar com a proibição dos cassinos virtuais, mas discordar do encerramento das apostas esportivas.

É justamente nessa diferença entre aprovar uma decisão e escolher um candidato que se concentra a disputa política. Lula e Flávio apresentam argumentos distintos sobre o mesmo problema, enquanto os analistas divergem sobre as possíveis consequências eleitorais.

Por enquanto, há uma certeza demonstrada pelas pesquisas: a proibição das bets conta com amplo apoio popular. O que ainda não existe é uma medição capaz de estabelecer quantos votos essa decisão efetivamente acrescenta ou retira de cada candidatura. A resposta dependerá de levantamentos realizados após o anúncio e, definitivamente, do comportamento dos eleitores nas urnas.

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