Uma declaração feita nesta segunda-feira (2), em Brasília, pelo presidente do Banco de Brasília (BRB), Nelson Antônio de Souza, colocou a instituição no centro das atenções ao admitir, diante de deputados distritais, o risco de paralisação das atividades caso não seja aprovado o projeto de lei destinado ao fortalecimento financeiro do banco.
Segundo Souza, sem a aprovação da proposta pela Câmara Legislativa do Distrito Federal, o BRB poderá enfrentar impedimentos regulatórios que, “do ponto de vista regulatório”, levariam o banco a parar de funcionar. Ele atribuiu o cenário ao impacto reputacional provocado por irregularidades identificadas em operações relacionadas ao Banco Master, embora tenha afirmado que não houve colapso institucional nem omissão da atual gestão.
A manifestação ganha repercussão direta na Paraíba porque o BRB mantém contratos relevantes com instituições públicas locais, entre elas o Tribunal de Justiça da Paraíba e a Prefeitura de João Pessoa, responsáveis por movimentações financeiras de grande volume.
O tema já vinha sendo acompanhado por órgãos de controle. O corregedor nacional do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ministro Mauro Campbell Marques, determinou que o Tribunal de Justiça da Paraíba apresente explicações sobre o depósito de cerca de R$ 2,6 bilhões em recursos judiciais administrados pelo BRB. O prazo estabelecido para resposta é de 15 dias.
Além da Paraíba, tribunais de Alagoas, Bahia, Maranhão e do Distrito Federal também foram intimados. O volume total de depósitos judiciais sob análise pode alcançar aproximadamente R$ 30 bilhões.
O Tribunal de Justiça paraibano informou que a escolha do BRB ocorreu por meio de licitação pública, após o encerramento do contrato anterior com o Banco do Brasil, ressaltando ainda que não houve transferência direta de valores, mas migração automática da administração financeira prevista no processo licitatório.
Desde que vieram à tona os primeiros desdobramentos envolvendo o Banco Master, o portal O Norte Online foi o primeiro a alertar autoridades e órgãos públicos da Paraíba sobre a existência de vínculos operacionais locais com o BRB. A fala do presidente da instituição, agora reconhecendo um cenário limite caso não haja solução legislativa, amplia a atenção sobre o tema — ainda que, até o momento, não exista anúncio de impacto imediato nos serviços prestados pelo banco no estado.
Decisão nesta terça-feira
O site do Jornal de Brasília, parceiro de O Norte Online, abre manchete hoje dizendo que A Câmara Legislativa viveu um dia de intensos embates nesta segunda-feira (2). A reunião entre os deputados distritais e o presidente do Banco de Brasília (BRB), Nelson Souza, terminou sem um consenso para a votação do Projeto de Lei nº 2.175/2026. O clima de incerteza prevaleceu após a apresentação de dados técnicos divergentes e a pressão dos parlamentares por mais transparência sobre o plano de capitalização de R$ 6,6 bilhões.
Embora o governo pressione pela aprovação célere, o Legislativo decidiu que o rito de votação só será definido no Colégio de Líderes desta terça-feira (3), porém com grandes chances de ir a plenário.