João Pessoa, quarta-feira, 16 de setembro de 2026
Prefeitos brasileiros rebatem Itamaraty e acusam governo de faltar com apoio durante crise em Israel
17/06/2025 15:59
Redação ON Reprodução

Após serem resgatados de Israel em meio à escalada do conflito no Oriente Médio, prefeitos e autoridades brasileiras divulgaram nesta terça-feira (17) uma nota oficial em resposta à posição do Itamaraty, que alegou desconhecer a missão oficial. O documento, assinado por vários integrantes da delegação, expressa “surpresa e repúdio” à Nota nº 269 do Ministério das Relações Exteriores, divulgada na última sexta-feira (14).

Segundo os signatários, a embaixada brasileira em Tel Aviv foi informada com antecedência sobre a viagem e confirmou o contato em uma reunião online realizada no próprio sábado (14), já durante o período de tensão. Para o grupo, o tom adotado pela chancelaria brasileira foi “inadequado” e mais se assemelha a uma “reprimenda” do que a uma manifestação de solidariedade.

“Se a representação diplomática foi previamente avisada, como reconheceram seus próprios representantes, questionamos a ausência de qualquer advertência formal ou impedimento à realização da missão”, diz a nota, divulgada nas redes sociais pelo prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena (PP).

O episódio gerou mal-estar político. Isso porque, embora a viagem tenha caráter institucional e envolva diferentes espectros partidários, a maioria dos integrantes da comitiva tem vínculos com a direita — muitos deles são alinhados ao ex-presidente Jair Bolsonaro. O Itamaraty, por sua vez, tem sido criticado por setores mais conservadores que o acusam de omissão e viés ideológico.

Cícero Lucena, no entanto, é apontado como exceção. Apesar de não integrar a base do governo Lula, também não pode ser classificado como bolsonarista. Em 2024, foi eleito prefeito de João Pessoa vencendo no segundo turno o candidato do PL, Marcelo Queiroga, ex-ministro da Saúde de Bolsonaro.

O pano de fundo da discussão agora é a guerra de narrativas. O Itamaraty afirma que a viagem contrariou recomendações consulares emitidas em 2023, desaconselhando viagens à região. Já os prefeitos afirmam que jamais foram formalmente advertidos e que a missão foi organizada com conhecimento prévio da diplomacia brasileira.

Caso o governo federal não consiga comprovar que houve, de fato, uma orientação formal anterior à viagem, o desgaste político tende a se ampliar. A delegação exige explicações públicas e reforça que, em momentos de crise, espera do governo brasileiro apoio institucional, e não deslegitimação.

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