A posse do ministro Kassio Nunes Marques na presidência do Tribunal Superior Eleitoral, nesta terça-feira, acabou funcionando não apenas como cerimônia institucional, mas como um raro encontro de personagens que hoje ocupam lados distintos — e muitas vezes hostis — da política brasileira.
No mesmo ambiente estavam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente do Senado Davi Alcolumbre e o advogado-geral da União Jorge Messias, justamente o nome apoiado por Lula para o Supremo e que acabou sofrendo uma derrota política histórica no Senado articulada por Alcolumbre. A cena ganhou contornos ainda mais delicados porque todos dividiram o mesmo espaço sob o protocolo elegante das solenidades de Brasília, onde os sorrisos institucionais muitas vezes escondem feridas ainda abertas. O presidente da Câmara, Hugo Motta também esteve presente.
Do outro lado do salão, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro também marcou presença ao lado da vice-governadora do Distrito Federal, Celina Leão. O ambiente reunia aliados do governo, bolsonaristas, ministros do STF e lideranças políticas convivendo sob uma espécie de trégua visual temporária, num daqueles eventos em que todos tentam demonstrar absoluta normalidade enquanto o desconforto político circula silenciosamente pelos corredores.
A transmissão do comando da Justiça Eleitoral foi feita pela ministra Cármen Lúcia, que passou o bastão a Kassio Nunes Marques. Indicado ao Supremo pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, o novo presidente do TSE chega ao cargo carregando desconfianças e expectativas tanto da direita quanto da esquerda.
Aliados de Bolsonaro enxergam Kassio como um ministro de perfil moderado e menos confrontador que figuras como Alexandre de Moraes, mas acompanham com atenção seus recentes gestos de aproximação com o governo Lula. Já setores governistas acreditam que, apesar da origem bolsonarista, ele tende a exercer uma atuação institucional equilibrada.
O fato é que Kassio assume o comando do TSE justamente no período que antecede a eleição presidencial de 2026, num cenário em que temas como fake news, inteligência artificial, ataques ao sistema eleitoral e tensão institucional devem voltar ao centro do debate político brasileiro.
