Ponte do Futuro vira dor de cabeça para Cícero – e aliados entram em campo para “traduzir” declaração
12/05/2026 12:46
Redação ON Reprodução

A chamada Ponte do Futuro, uma das obras mais ambiciosas da infraestrutura paraibana, acabou se transformando também em uma ponte para uma crise política inesperada. E tudo começou no fim de semana, durante uma agenda do ex-prefeito de João Pessoa e pré-candidato ao governo da Paraíba, Cícero Lucena, no Sertão do estado.

Ao falar sobre prioridades administrativas em meio à crise hídrica enfrentada por municípios do Cariri e do Sertão, Cícero afirmou que, se tivesse recursos para escolher apenas uma grande obra, priorizaria a transposição do Rio São Francisco em vez da Ponte do Futuro — empreendimento estimado em mais de R$ 400 milhões e tratado pelo governo estadual como peça estratégica para o turismo, a mobilidade e o escoamento de cargas no Litoral Norte.

A declaração caiu como uma bomba política.

O problema é que, enquanto buscava sintonia com o eleitor sertanejo, preocupado com água nas torneiras, Cícero acabou produzindo um efeito colateral no litoral, justamente onde a ponte é tratada como uma obra histórica para a economia da região. Nos bastidores, muita gente resumiu a situação da seguinte forma: tentando ganhar votos no Sertão, o ex-prefeito acabou desagradando parte importante do eleitorado litorâneo.

A reação veio rápida.

O governador Lucas Ribeiro e aliados saíram em defesa imediata da obra, destacando o potencial turístico e econômico da ponte.

Mas uma das respostas politicamente mais habilidosas veio do senador Efraim Filho. Sem atacar diretamente Cícero, Efraim afirmou que a ponte deve continuar normalmente e foi além: disse que a obra não ficará pronta este ano e que quem vai inaugurá-la em 2027 será ele próprio, já na condição de governador da Paraíba.

A frase teve efeito duplo. Ao mesmo tempo em que defendia a continuidade da obra, Efraim aproveitava para transmitir confiança absoluta na própria eleição ao Palácio da Redenção.

Com a repercussão crescendo, aliados de Cícero entraram em cena para tentar reorganizar o estrago político.

Coube ao deputado estadual Felipe Leitão assumir a linha de frente da defesa. E fez isso de maneira enfática.

“A fala de Cícero foi 100% distorcida. Cícero não quis dizer isso”, afirmou o parlamentar.

Felipe sustentou que o ex-prefeito jamais declarou ser contrário à Ponte do Futuro e que apenas estabeleceu uma comparação entre prioridades administrativas diante da crise hídrica enfrentada pelo Sertão e pelo Cariri.

Segundo o deputado, Cícero continua defendendo a obra e, caso seja eleito governador, dará continuidade ao projeto até a sua conclusão.

Ainda assim, a tentativa de contenção acabou produzindo uma cena politicamente curiosa: enquanto adversários exploravam a fala original, aliados precisavam convencer o eleitor de que o pré-candidato não queria exatamente dizer aquilo que todo mundo entendeu que ele disse.

No fim das contas, a Ponte do Futuro acabou virando também uma metáfora perfeita da pré-campanha paraibana: uma obra cercada de expectativas, disputas políticas, versões diferentes e muito cálculo eleitoral.

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