Um levantamento publicado nesta quinta-feira pelo Estadão ajuda a colocar em perspectiva um comportamento que já havia chamado a atenção na Paraíba: candidatos ligados ao bolsonarismo estão evitando associar diretamente suas campanhas ao nome de Flávio Bolsonaro durante os debates eleitorais.
O jornal analisou os debates promovidos pela Band no último domingo em 11 Estados e no Distrito Federal e encontrou uma diferença expressiva. Enquanto candidatos aliados do presidente Lula citaram o petista 117 vezes, os apoiadores de Flávio Bolsonaro mencionaram o candidato do PL à Presidência apenas duas vezes.
A Paraíba não entrou no levantamento do Estadão. Mas, se entrasse, reforçaria a tendência apontada pelo jornal.
Efraim Filho, candidato do PL ao Governo do Estado, também passou pelo debate da Band sem citar Flávio Bolsonaro. E foi além: não mencionou Jair Bolsonaro nem Michelle Bolsonaro, apesar de disputar a eleição pelo partido da família Bolsonaro e de ter recebido Flávio na convenção que oficializou sua candidatura.
O comportamento não passou despercebido pela imprensa paraibana. No programa O Paraíba Boa, na internet, a questão foi levantada logo após o debate: “É impressão minha ou Efraim não quer assumir o bolsonarismo 100%?”. O comentário destacou justamente que os nomes de Bolsonaro, Michelle e Flávio não apareceram na fala do candidato. A observação acabou repercutindo em outros veículos do Estado.
Silêncio nacional
O levantamento divulgado pelo Estadão mostra que Efraim não está sozinho nessa estratégia.
Em São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) não mencionou Flávio Bolsonaro no debate contra Fernando Haddad (PT). Haddad, em sentido oposto, citou Lula sete vezes. No Rio Grande do Sul, Zucco (PL) também não falou no candidato presidencial do próprio partido. No Distrito Federal, Celina Leão (PP), aliada de Michelle Bolsonaro, igualmente evitou o nome de Flávio.
Das 12 disputas analisadas, as únicas citações ao senador ocorreram no Rio de Janeiro, com Douglas Ruas (PL), e no Maranhão, com Roberto Rocha (PRTB).
Do lado governista, aconteceu praticamente o contrário. Além das sete referências de Haddad, Luis Cesar Bueno (PT), em Goiás, mencionou Lula 15 vezes; Elmano de Freitas (PT), no Ceará, 16; Jerônimo Rodrigues (PT), na Bahia, 14. Somadas, foram 117 citações ao presidente.
A comparação feita pelo Estadão indica que o problema não parece ser exatamente uma rejeição ao bolsonarismo. Jair Bolsonaro continua sendo lembrado por aliados. O cuidado maior estaria na associação direta com Flávio, depois dos desgastes enfrentados pelo senador durante a pré-campanha.
Na Paraíba, o comportamento de Efraim acrescenta mais um caso a esse mapa. O levantamento nacional não o contabilizou, mas a campanha paraibana mostra que a distância entre o apoio político e a exposição pública do nome de Flávio Bolsonaro também chegou por aqui.
