No momento em que a chamada Ponte do Futuro se transforma em alvo de disputa política entre governo e oposição – com o ex-prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena, questionando a prioridade e os impactos da obra – cresce também o interesse da população em entender, afinal, o que está sendo construído entre Cabedelo e Lucena e por que essa intervenção passou a ocupar o centro do debate eleitoral na Paraíba.
Entre Cabedelo e Lucena, no Litoral Norte do estado, uma estrutura de mais de 2,5 quilômetros de extensão já alcançou cerca de 50% de execução. Batizada oficialmente de Ponte do Futuro, a obra representa um dos maiores investimentos viários da história recente da Paraíba: aproximadamente R$ 500 milhões, custeados com recursos do Tesouro Estadual.
Mas, na prática, o que é essa obra?
O projeto principal prevê uma ponte de aproximadamente 2,1 quilômetros ligando o km 9,64 da BR-230, na altura de Intermares, em Cabedelo, à BR-101 Norte. Além dela, há uma segunda estrutura de cerca de 420 metros sobre o Rio da Guia, já em Lucena.
A nova ligação contará com pista dupla, duas faixas em cada sentido, acostamento, ciclovia e mirante. O cronograma oficial aponta início das obras em janeiro de 2025 e, em maio de 2026, o empreendimento já atingia metade do previsto. A expectativa do governo é concluir a obra entre o fim de 2026 e o começo de 2027.
Por que a ponte está sendo construída?
Do ponto de vista técnico e logístico, o projeto tenta responder a três gargalos históricos da região metropolitana de João Pessoa.
O primeiro é o fluxo de cargas do Porto de Cabedelo. Atualmente, caminhões pesados precisam atravessar áreas urbanas congestionadas da capital e de Cabedelo para alcançar a BR-101. A ponte cria uma rota alternativa direta, reduzindo a circulação desses veículos em avenidas densamente povoadas.
O segundo objetivo é melhorar a mobilidade metropolitana. A obra integra o chamado Arco Metropolitano e pretende aliviar a pressão sobre trechos críticos que conectam João Pessoa, Cabedelo, Santa Rita e Lucena.
O terceiro ponto envolve o desenvolvimento do Litoral Norte. Lucena, historicamente isolada por dificuldades de acesso, poderá ter redução significativa no tempo de deslocamento até João Pessoa e BR-101, o que pode estimular turismo, mercado imobiliário e novos investimentos privados.
Virou um assunto político
O governo estadual, hoje representado por Lucas Ribeiro e pelo ex-governador João Azevêdo, trata a Ponte do Futuro como uma vitrine administrativa e uma obra estruturante para a região metropolitana.
Já o ex-prefeito Cícero Lucena tem feito críticas públicas ao empreendimento, questionando tanto a prioridade do investimento quanto possíveis impactos ambientais sobre áreas de manguezal. Também argumenta que a estrutura, isoladamente, não resolveria os principais problemas de mobilidade urbana da capital.
É justamente aí que nasce a controvérsia.
Há quem veja a ponte como uma demanda antiga, necessária para o futuro logístico e econômico da região. Há quem considere que os quase R$ 500 milhões poderiam ser direcionados para áreas como saúde, educação ou transporte público urbano.
O que parece consensual é que a obra deixou de ser apenas um projeto de engenharia. Ela virou símbolo político.
E talvez seja exatamente por isso que o debate em torno da Ponte do Futuro tenha crescido tanto: porque a discussão não envolve apenas concreto, aço e trânsito. Envolve prioridades, visão de desenvolvimento e o modelo de cidade — e de estado — que cada grupo político defende para a Paraíba.
