João Pessoa, quarta-feira, 16 de setembro de 2026
PL da anistia entra na fila das ilusões — pode ser votado só na próxima década
15/04/2025 05:19
Redação ON Reprodução

O avanço do projeto de lei da anistia, que tenta perdoar participantes dos atos golpistas de 8 de janeiro, ganhou novo impulso com o requerimento de urgência aprovado na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara. A manobra permite que a proposta seja votada diretamente em plenário, sem passar pelas comissões temáticas. Mas esse atalho pode esbarrar numa barreira quase invisível, porém devastadora: a fila.

Com mais de dois mil pedidos de urgência aguardando vez na Câmara dos Deputados, cabe ao líder do Republicanos, Hugo Motta, o poder de pautar ou empurrar para o fim da fila o requerimento da anistia. E a estratégia dele, segundo aliados, pode ser justamente essa: aplicar o critério cronológico e jogar o projeto para um limbo legislativo que só será desenterrado, com sorte, na próxima década. Tecnicamente, ele não está barrando nada. Apenas obedecendo a ordem natural da casa. Um gesto sutil, mas possivelmente fatal ao projeto.

Enquanto isso, o governo federal se articula em duas frentes. A primeira é jurídica: ministros do Supremo Tribunal Federal já declararam que o PL é inconstitucional. A lista de argumentos é extensa — crimes como golpe de Estado, abolição violenta do Estado de Direito e atos classificados como terroristas são considerados inafiançáveis e imprescritíveis pela Constituição. Não caberia, portanto, qualquer tentativa de anistia.

A segunda frente é política: o Planalto mira deputados da base que votaram a favor da urgência, mas que mantêm cargos, emendas e influência em ministérios comandados por aliados do governo. A ideia em curso é usar essa estrutura como moeda de pressão para reverter votos e enfraquecer a base do bolsonarismo no plenário.

O risco, porém, segue latente. Com maioria na Câmara, os aliados de Bolsonaro podem retomar o tema a qualquer momento — e, se a fila da urgência for furada por decisão política da presidência da Casa, todo o plano de Hugo Motta pode ruir. Por ora, o relógio é o maior aliado do governo. Mas, no jogo do Congresso, o tempo também pode ser traiçoeiro.

As assinaturas de cada partido, numa soma de parlamentares que chega a 264 (duas assinaturas foram invalidadas):

  • União – 40 de 59 deputados
  • PP – 35 de 48 deputados
  • PSD – 23 de 44 deputados
  • Republicanos – 28 de 45 deputados
  • MDB – 20 de 44 deputados
  • PL- 90 de 92 deputados
  • Avante – 4 de 8 deputados
  • Podemos – 9 de 15 deputados
  • PSDB- 5 de 13 deputados
  • Cidadania – 3 de 4 deputados
  • Novo – 4 de 4 deputados
  •  PRD- 3 de 5 deputados

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