O Partido Liberal (PL) intensificou a pressão sobre o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), ameaçando romper com ele caso o requerimento de urgência para o projeto de anistia aos réus dos ataques de 8 de janeiro não seja pautado para votação no plenário. O líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), declarou que essa ruptura poderia comprometer acordos no colégio de líderes, especialmente aqueles relacionados à divisão de emendas parlamentares.
O PL, que possui a maior bancada da Câmara com 92 deputados, protocolou o requerimento de urgência no último dia 14, contando com 262 assinaturas de parlamentares de 12 partidos. A aprovação do requerimento permitiria que o projeto fosse votado diretamente no plenário, sem passar pelas comissões temáticas. No entanto, cabe ao presidente da Câmara pautar a votação desse requerimento.
Sóstenes afirmou que, se o requerimento não for incluído na pauta, o PL entenderá isso como um gesto de desrespeito por parte de Motta e poderá romper acordos estabelecidos, incluindo aqueles relacionados à divisão de emendas parlamentares. Atualmente, há um acordo informal que prevê que os partidos que presidem comissões temáticas têm direito a indicar 30% dos recursos de emendas, enquanto os outros 70% são divididos entre os demais partidos. O PL ameaça monopolizar o controle de mais de R$ 6 bilhões em emendas caso o acordo seja rompido.
A proposta de anistia deverá ser discutida em reunião com os líderes partidários nesta quinta-feira (24). Segundo integrantes do centrão, há uma avaliação de que um projeto complexo como o da anistia não deve ser levado ao plenário sem uma discussão ampla entre os congressistas.
Em resposta às pressões, Hugo Motta tem adotado uma postura firme, enfatizando que a prioridade da Câmara é avançar em pautas de interesse direto da população, como a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil. Ele afirmou que não permitirá que outras propostas, incluindo a anistia, prejudiquem o andamento de projetos importantes para o país.
O impasse entre o PL e o presidente da Câmara evidencia as tensões políticas em torno do projeto de anistia e destaca os desafios na condução das pautas legislativas em um cenário de polarização e pressões partidárias.

