quinta-feira, 23 de julho de 2026
Pix judicial do BRB acende alerta no Tribunal de Justiça da Paraíba
24/01/2026 05:29
Redação ON Reprodução

A crise envolvendo o BRB e o Banco Master ainda não produziu qualquer efeito prático na rotina do Tribunal de Justiça da Paraíba, mas já acendeu um sinal de alerta dentro da instituição. O ponto de atenção é a operação do chamado pix judicial, sistema utilizado para a gestão e liberação de depósitos judiciais e que envolve volumes bilionários de recursos públicos em vários estados do país.

O alerta ganhou força após reportagem da CNN apontar que o risco potencial associado ao pix judicial pode provocar um rombo superior a R$ 30 bilhões, considerando os contratos firmados pelo BRB com tribunais estaduais. Além da Paraíba, o banco opera esse sistema nos tribunais da Bahia, Alagoas, Maranhão e no Distrito Federal.

A preocupação não está relacionada a qualquer falha operacional já identificada, mas à possibilidade de que, em um cenário de agravamento da crise financeira do banco, o BRB não consiga honrar os compromissos assumidos na administração dos depósitos judiciais. Caso isso ocorra, os prejuízos recairiam sobre os próprios estados, que teriam de cobrir eventuais perdas, com impacto direto sobre os orçamentos públicos.

Na Paraíba, o vínculo institucional com o BRB é amplo. Além de operar o pix judicial, o banco mantém parceria direta com o Tribunal de Justiça da Paraíba e é responsável pela administração da folha de pagamento do Judiciário estadual, além de outros órgãos do Estado. Essa relação reforça a necessidade de cautela e explica o acompanhamento mais atento adotado pela corte.

O Tribunal de Justiça da Paraíba informou que instaurou procedimento administrativo para verificar se o BRB continua atendendo às exigências econômico-financeiras previstas nos contratos em vigor. Segundo o tribunal, até o momento não foi identificado qualquer indício de anomalia ou comprometimento da execução contratual. Ainda assim, foi decidido reforçar o monitoramento da situação, com avaliações periódicas a cada três meses.

O pano de fundo desse alerta é a crise desencadeada pela tentativa de compra do Banco Master pelo BRB, operação que levantou questionamentos sobre a solidez financeira do banco público e passou a ser analisada pelo Banco Central. Estimativas preliminares apontam que a exposição do BRB nesse episódio pode envolver cifras bilionárias, ainda em apuração.

Esse novo desdobramento confirma um alerta feito anteriormente pelo portal O Norte Online, que foi o primeiro a chamar atenção para o efeito dominó da crise do Banco Master e os riscos crescentes para o BRB. Agora, o caso entra em uma fase de vigilância institucional: o problema ainda não se refletiu na operação do Judiciário paraibano, mas o volume de recursos envolvidos no pix judicial impõe cautela máxima e acompanhamento permanente.

O que diz o BRB

Ao Jornal de Brasília  – parceiro nacional de O Norte Online – o presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, afirmou que o banco não vai quebrar nem será liquidado pelo Banco Central. Ele confirmou que o BRB negocia uma linha de empréstimo emergencial com o FGC (Fundo Garantidor de Crédito) para atender às exigências de capital do BC.
“Nós contribuímos e somos associados do FGC. Todos os bancos que precisam de capital, o primeiro lugar que vão é no FGC, que tem taxa de juros mais barata e prazo longo [do financiamento]”, disse.
Para conseguir o empréstimo, o governo do DF, que é o controlador do BRB, terá que dar garantias ao FGC, como ações de suas empresas estatais.

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