quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026
Pix e fintechs derrubam receitas de tarifas e forçam bancos a mudar modelo de negócios
26/02/2026 07:55
Redação ON Reprodução

A concorrência cada vez mais dura com as fintechs e a popularização acelerada do Pix estão redesenhando a forma como os grandes bancos ganham dinheiro no Brasil. Em 2025, três das quatro maiores instituições financeiras de capital aberto viram encolher significativamente a receita obtida com tarifas de conta-corrente, somando uma perda próxima de R$ 2 bilhões em relação ao ano anterior.

O levantamento, feito a partir dos balanços do quarto trimestre, mostra que Itaú Unibanco, Bradesco e Banco do Brasil arrecadaram juntos R$ 15,155 bilhões com serviços ligados à manutenção de contas, um recuo de 11% em 12 meses. No grupo dos grandes bancos, apenas o Santander conseguiu registrar uma leve alta nessa linha de receita.

O movimento contrasta com o desempenho geral da área de serviços, que avançou quase 5% e alcançou R$ 15,7 bilhões, impulsionada principalmente por seguros, cartões e outros produtos financeiros. Com isso, o peso das tarifas de conta-corrente no faturamento total dos bancos caiu de 15% para 13% em apenas um ano.

A mudança reflete um processo mais amplo de transformação no setor financeiro, acelerado pela abertura do mercado e pela consolidação dos bancos digitais. Com estruturas mais enxutas, sem a pesada rede de agências físicas e com menos custos operacionais, as fintechs passaram a oferecer contas sem tarifas como principal estratégia para conquistar clientes que antes tinham pouca ou nenhuma relação com o sistema bancário tradicional.

No fim de 2025, o Nubank consolidou-se como o maior símbolo desse modelo ao ultrapassar os grandes bancos privados em número de usuários, alcançando 112 milhões de clientes no País, ficando atrás apenas da Caixa Econômica Federal, segundo dados do Banco Central.

Diante desse cenário, os bancos tradicionais foram obrigados a rever a lógica baseada na cobrança por cada operação realizada. A aposta agora é usar a conta corrente como porta de entrada, muitas vezes gratuita, para depois ampliar o relacionamento com o cliente por meio da oferta de crédito, investimentos e outros produtos de maior rentabilidade. Segundo o consultor Boanerges Ramos Freire, a estratégia deixou de ser puramente transacional e passou a ser mais relacional, com foco em ampliar o vínculo e o ticket médio do cliente ao longo do tempo.

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