João Pessoa, quarta-feira, 16 de setembro de 2026
PF vê Bolsonaro como principal beneficiário de esquema ilegal da Abin, mas evita novo indiciamento
18/06/2025 17:53
Redação ON Reprodução

A Polícia Federal concluiu que o ex-presidente Jair Bolsonaro foi o principal beneficiário das ações clandestinas da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), durante a gestão do delegado Alexandre Ramagem na direção do órgão. Segundo o relatório final da investigação, os atos ilegais tinham como foco atender aos interesses políticos do então presidente e de seu núcleo mais próximo.

“Jair Messias Bolsonaro figura como o principal destinatário do produto das ações clandestinas e da instrumentalização da Abin”, afirma o documento, com base em anotações feitas pelo próprio Ramagem, como as intituladas “Bom dia Presidente” e “PR Presidente”. Apesar das evidências, Ramagem alegou, em depoimento ao STF, que os documentos não teriam sido enviados a ninguém.

A investigação teve início após revelação do jornal O Globo, em março de 2023, sobre a compra de um sistema espião usado para rastrear alvos pré-determinados em todo o país.

De acordo com a PF, os materiais coletados mostram que as ações da chamada “Abin paralela” foram executadas para beneficiar diretamente o núcleo político do governo Bolsonaro, com foco em atacar adversários e o sistema eleitoral.

Apesar de apontar Bolsonaro como figura central do esquema, a PF decidiu não indiciá-lo novamente, já que ele já responde por fatos similares no inquérito da tentativa de golpe, que tramita no Supremo Tribunal Federal. A corporação encaminhou a decisão à Procuradoria-Geral da República (PGR), que deve avaliar se o ex-presidente será acusado de integrar organização criminosa em mais de uma frente de investigação.

Quem estava na mira

Conforme as investigações da Polícia Federal, no esquema que ficou conhecido como Abin paralela, foram monitoradas as seguintes autoridades, servidores e jornalistas:

Poder Judiciário: ministros do STF Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, Luís Roberto Barroso e Luiz Fux.

Poder Legislativo: o então presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), o deputado Kim Kataguiri (União-SP) e os ex-deputados Rodrigo Maia, que foi presidente da Câmara, Joice Hasselmann e Jean Wyllys (PSOL).

E os senadores: Alessandro Vieira (MDB-SE), Omar Aziz (PSD-AM), Renan Calheiros (MDB-AL) e Randolfe Rodrigues (sem partido-AP), que integravam a CPI da Covid no Senado.

Poder Executivo: João Doria, ex-governador de São Paulo; os servidores do Ibama Hugo Ferreira Netto Loss e Roberto Cabral Borges; os auditores da Receita Federal do Brasil Christiano José Paes Leme Botelho, Cleber Homen da Silva e José Pereira de Barros Neto.

Jornalistas: Monica Bergamo, Vera Magalhães, Luiza Alves Bandeira e Pedro Cesar Batista.

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