João Pessoa, quarta-feira, 16 de setembro de 2026
PF detecta menções a Toffoli em celular de banqueiro e leva caso ao presidente do STF
11/02/2026 21:30
Redação ON Reprodução

A investigação sobre o caso Banco Master ganhou um novo e delicado capítulo. A Polícia Federal encontrou menções ao ministro Dias Toffoli no celular do banqueiro Daniel Vorcaro, alvo do inquérito que apura supostas irregularidades envolvendo a instituição financeira. O detalhe que torna o episódio ainda mais sensível é que o próprio Toffoli é o relator do caso no Supremo Tribunal Federal.

Diante do achado nas perícias feitas nos aparelhos de Vorcaro, a cúpula da PF decidiu não encaminhar as novas informações ao relator natural do processo. Em vez disso, a corporação enviou um relatório ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, para que ele avalie os próximos passos — inclusive a possibilidade de discutir a suspeição de Toffoli para continuar à frente da investigação.

Pelo rito normal, caberia ao relator receber o material produzido pela polícia. Mas, como o nome de Toffoli aparece nas mensagens analisadas, a PF optou por um desvio de rota institucional, transferindo a responsabilidade da avaliação inicial para a Presidência da Corte. A informação foi revelada pelo UOL e confirmada pelo Estadão. Procurados, STF, Toffoli, a direção da PF e a defesa de Daniel Vorcaro não se manifestaram até o momento.

Nos bastidores do meio jurídico, a permanência de Toffoli na relatoria do caso Banco Master já vinha sendo questionada. Integrantes da comunidade jurídica defendem que o ministro se declare impedido ou suspeito por causa do envolvimento de parentes seus em negócios com fundos ligados ao banqueiro investigado. Mesmo sob esse ambiente de pressão, Toffoli tem resistido a abrir mão da condução do processo.

No ofício encaminhado a Edson Fachin, a Polícia Federal relata a existência das menções ao ministro, mas evita fazer qualquer juízo de valor sobre o conteúdo ou sugerir medidas concretas, como a abertura de inquérito específico ou o afastamento formal do relator. O documento deixa a avaliação política e institucional do episódio nas mãos da cúpula do Supremo.

A agenda oficial de Fachin registra para esta segunda-feira, às 11h30, uma reunião com o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. O compromisso aparece com descrição genérica — “fluxo processual ordinário” —, mas ocorre em meio ao aumento da temperatura em torno do caso Banco Master. Nos corredores de Brasília, o entendimento é que o episódio aprofunda o clima de constrangimento institucional e coloca o Supremo diante de uma decisão que vai além do processo: trata-se, também, de um teste de credibilidade para a própria Corte.

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