João Pessoa, quarta-feira, 16 de setembro de 2026
Pauta da anistia vai explodir Brasília; e a decisão está nas mãos do paraibano Hugo Motta
30/03/2025 04:43
Redação ON Reprodução/montagem

A próxima semana promete ser explosiva em Brasília. O projeto de anistia que divide o Congresso e alarma o Supremo Tribunal Federal (STF) deverá entrar com força na pauta da Câmara dos Deputados, com uma pressão crescente para que vá a votação — movimento que o governo tenta conter a todo custo.

A batata quente está nas mãos do deputado paraibano Hugo Motta (Republicanos-PB), atual presidente da Câmara. Motta acompanhou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em uma viagem internacional, mas em seu retorno será cobrado a definir se o polêmico projeto vai ou não ao plenário. A definição pode abrir um conflito institucional de grandes proporções.

A avaliação entre líderes governistas é clara: se for à votação hoje, o projeto passa. Por isso, o esforço do Palácio do Planalto e seus aliados é justamente evitar que a proposta seja pautada.

A ideia começou a ganhar corpo com apoio do PL de Jair Bolsonaro, e rapidamente passou a contar com a articulação de outras siglas. O próprio ex-presidente afirmou, durante manifestação no Rio de Janeiro, que havia costurado um acordo com Gilberto Kassab, líder do PSD, para garantir adesão expressiva na Câmara.

Republicanos e o dilema de Motta

Enquanto a cúpula do Republicanos hesita, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, considerado a principal liderança do partido, já se posicionou favoravelmente à anistia. A pressão aumenta sobre Motta, que pode se ver dividido entre a posição de seu partido e as consequências institucionais de uma possível aprovação.

Além disso, outros partidos do centrão, como o PP, também ensaiam embarcar na articulação pró-anistia, o que tornaria a resistência governista ainda mais frágil.

Embate com o STF

Caso o projeto avance na Câmara, o embate com o STF será inevitável. Ministros da Corte já sinalizaram preocupação com o conteúdo da anistia, que pode beneficiar investigados por atos antidemocráticos, entre outros. A análise do texto no Senado também seria um desafio para Davi Alcolumbre, que enfrentaria forte pressão política.

No fundo, há um temor generalizado entre políticos de que o desgaste com o Judiciário afete suas próprias trajetórias — muitos com pendências em tribunais superiores.

Como ocorre com tantos temas em Brasília, o avanço da anistia depende do contexto político da semana. Um escândalo, uma mudança no noticiário ou uma movimentação de bastidores pode acelerar ou frear o processo. Por ora, a ordem no Planalto é clara: trabalhar para que o projeto não vá a votação.

Mas o pêndulo está em movimento. E a próxima reunião de líderes da Câmara pode ser decisiva para os rumos da proposta — e das tensões entre os Poderes.

O fato e que, se for à votação hoje, o projeto passa. Por isso, o esforço do Palácio do Planalto e seus aliados é justamente evitar que a proposta seja pautada.

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