João Pessoa, sábado, 31 de outubro de 2026
Paraibanos cotados para o governo Lula terão concorrência pesada com a fome de cargos do Centrão
31/10/2026 05:30
Redação ON Reprodução

Quatro paraibanos aparecem nas especulações sobre o próximo governo Lula: Daniella Ribeiro, Aguinaldo Ribeiro, Chico César e Nabor Wanderley. Nenhum tem indicação confirmada, e todos precisam considerar um componente que promete tornar a disputa mais difícil: o presidente iniciará, depois do feriado de Finados, negociações com partidos do Centrão para ampliar sua sustentação no Congresso.

Lula pretende vincular a participação nos ministérios ao compromisso de apoio às propostas do Executivo. Edinho Silva, presidente do PT, conduzirá os primeiros contatos. O objetivo é evitar que partidos ocupem cargos e, ao mesmo tempo, ajudem a impor derrotas ao governo nas votações.

Essa aproximação envolve cargos importantes, orçamento e poder. O Centrão chegará à mesa com suas próprias listas e o conhecido apetite por espaços. Para os paraibanos lembrados, ser cotado é apenas o começo: a concorrência será pesada, e a capacidade de reunir apoio político terá peso decisivo.

Os irmãos Ribeiro

A senadora Daniella Ribeiro, cujo mandato está chegando ao fim, teve o nome mencionado durante a semana como possibilidade para o primeiro escalão. Até agora, porém, não há sinal público do Planalto que confirme convite ou negociação para sua nomeação.

Seu irmão, o deputado federal reeleito Aguinaldo Ribeiro, também é lembrado. O trânsito em Brasília e a experiência nas articulações nacionais contam a seu favor, especialmente em um governo que precisará negociar apoio parlamentar.

Uma eventual escolha dependerá, entretanto, das prioridades partidárias e dos acordos nacionais. A força política na Paraíba ajuda, mas não garante uma cadeira na Esplanada.

Chico César na Cultura

O cantor e compositor Chico César voltou a aparecer entre os cotados para o Ministério da Cultura. A informação, divulgada por O Globo, repercutiu no Estado.

Identificado com a esquerda e apoiador de Lula, Chico presidiu a Fundação Cultural de João Pessoa e foi secretário de Cultura da Paraíba no governo Ricardo Coutinho. Seu nome já havia sido cogitado em 2022, mas a permanência de Margareth Menezes continua sendo uma possibilidade, sem anúncio de mudança na pasta.

Nabor e o peso de Hugo Motta

O ex-prefeito de Patos Nabor Wanderley também aparece entre os nomes lembrados. Terceiro colocado na disputa pelo Senado, com cerca de 888 mil votos, ele tem como elemento de força política a interlocução do filho, Hugo Motta, presidente da Câmara, com o Planalto.

Na eleição, Lula apoiou João Azevêdo e manteve o compromisso com a reeleição de Veneziano Vital do Rêgo. Nabor ficou sem o apoio declarado do presidente e não conquistou a vaga.

Seu eventual aproveitamento poderia representar um gesto de composição. Não há, contudo, confirmação de acordo prévio entre Lula e Hugo Motta para assegurar um cargo ao ex-prefeito.

Entradas incertas, saídas possíveis

Enquanto surgem candidatos a entrar, dois paraibanos já instalados no governo podem sair. Como mostrou O Norte Online nesta sexta-feira (30), a permanência de Tarciana Medeiros no Banco do Brasil e de Carlos Vieira na Caixa Econômica Federal está em discussão, em meio à cobrança por resultados e à reorganização política da equipe.

A Paraíba, portanto, tem nomes em circulação, mas nenhum novo espaço assegurado. A partir da próxima semana, as conversas com o Centrão começarão a separar as apostas das possibilidades concretas. E os interessados devem saber: os partidos chegarão à negociação com muita sede de cargos.

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