O líder do PT na Câmara dos Deputados, o paraibano Lindbergh Farias, avaliou que o ex-presidente Jair Bolsonaro fracassou em sua tentativa de se defender durante o depoimento prestado nesta terça-feira (10) ao ministro Alexandre de Moraes, no Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito do inquérito que apura a tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.
“Bolsonaro perdeu a chance de se defender e enfrentar os fatos. Acho que o destino de Bolsonaro está selado: vai ser condenação e prisão”, afirmou Lindbergh, em entrevista à coluna.
Segundo o parlamentar, o ex-presidente não conseguiu, em nenhum momento, rebater as provas materiais já reunidas no processo. “Foi como se ele estivesse numa live, mas sem enfrentar e rebater”, criticou o petista.
Lindbergh listou alguns dos principais pontos sobre os quais, segundo ele, Bolsonaro não apresentou explicações: “Por exemplo: o que ele esclareceu sobre a Operação Punhal Verde e Amarelo [plano que previa atentados contra Lula, Moraes e Geraldo Alckmin]? E as gravações, o deslocamento dos ‘kids pretos’ [militares] e o dinheiro, o pagamento para Braga Netto?”, questionou o deputado.
O líder do PT também destacou o episódio da reunião de 9 de novembro de 2022, quando o general Mario Fernandes imprimiu diversas minutas golpistas e as levou ao Palácio da Alvorada. “Bolsonaro não conseguiu se contrapor aos depoimentos dos comandantes do Exército e da Aeronáutica sobre a minuta do golpe. Falou em estado de sítio como se isso fosse jogar nas quatro linhas. Estado de sítio não é para isso”, afirmou.
Para Lindbergh, o depoimento foi “protocolar” e serviu apenas para Bolsonaro tentar transformar o interrogatório em um palanque. “Moraes, com razão, não quis fazer um depoimento como Moro fez com Lula, até para Bolsonaro não se colocar como vítima no processo”, concluiu o líder do PT.
O depoimento de Jair Bolsonaro ao STF ocorreu no segundo dia de audiências do núcleo central da investigação sobre a tentativa de golpe. O ex-presidente foi interrogado após Mauro Cid, ex-ajudante de ordens, prestar um depoimento considerado decisivo, no qual reafirmou que Bolsonaro leu e editou a minuta do golpe, mantendo apenas a ordem de prisão do ministro Alexandre de Moraes.

