O paraibano Carlos Vieira, presidente da Caixa Econômica Federal, traçou um panorama otimista para o segundo semestre de 2025 em entrevista à Folha de S.Paulo. Segundo ele, o banco público deverá atingir a marca de R$ 250 bilhões em contratações de crédito habitacional até o fim do ano — dos quais R$ 138 bilhões devem ser liberados apenas entre julho e dezembro. Em 2024, o total foi de R$ 223,6 bilhões.
Vieira revelou que um novo pacote do governo federal, com lançamento previsto entre agosto e setembro, será um dos motores desse crescimento. A proposta inclui uma linha de financiamento para reforma de imóveis com juros mais baixos e prazos mais longos — podendo chegar a oito anos —, usando os mesmos recursos do crédito habitacional. “Vamos resgatar um tipo de operação que está em desuso, mas com instrumentos novos e mais justos para o consumidor”, afirmou.
A Caixa também deve apostar forte na classe média, com uma nova faixa do programa Minha Casa, Minha Vida voltada a famílias com renda entre R$ 8 mil e R$ 12 mil. O orçamento previsto para essa categoria é de R$ 15 bilhões em 2025. “É uma novidade importante. A classe média também merece atenção dentro da política habitacional”, disse.
Vieira explicou ainda que a instituição está alinhada com o Banco Central e com o governo para adotar medidas que tragam mais estabilidade ao SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo), principal fonte de financiamento imobiliário. O objetivo é reduzir a volatilidade do sistema e criar previsibilidade. A expectativa é que o crédito cresça entre R$ 70 bilhões e R$ 80 bilhões por ano nos próximos cinco anos, com juros mais estáveis.
Mesmo com a taxa Selic elevada a 15%, o presidente da Caixa garante que os juros dos financiamentos habitacionais do banco não sofreram alterações. “A Selic não nos afeta diretamente. Absorvemos essa alta com nossa margem financeira”, afirmou.
Na entrevista, Carlos Vieira também anunciou o lançamento, ainda neste semestre, de um “superapp” que deve integrar todos os serviços da Caixa. A meta, segundo ele, é transformar o banco público na maior fintech do país. O projeto virá acompanhado de uma campanha educativa e de um sistema de monitoramento do comportamento social dos usuários.
Com foco na inovação e no crédito acessível, o paraibano Carlos Vieira projeta um novo salto para a Caixa, combinando tecnologia, inclusão e protagonismo no financiamento habitacional.