O cantor Ed Motta se envolveu em uma confusão num bar do Rio de Janeiro, na semana passada. Ele teria jogado uma cadeira na direção de um funcionário após uma discussão por causa da taxa de rolha. O caso já foi bastante repercutido nacionalmente, mas o caso ganhou desdobramentos que atingem o Nordeste e os paraibanos.
Segundo os funcionários do estabelecimento, além das agressões físicas, houve falas carregadas de preconceito regional. O grupo de Ed Motta teria chamado os empregados de “paraíba” — não como referência ao nosso estado, mas como ofensa a nordestinos.
Para quem é da Paraíba, ouvir esse termo sendo usado como xingamento não é novidade. “Paraíba” virou, infelizmente, um sinônimo pejorativo para qualquer pessoa do Nordeste. Uma forma de diminuir, de desumanizar, de tratar como inferior. E foi assim que os funcionários do restaurante se sentiram: atacados não só pela cadeira, mas pela palavra.
Em nota, os donos do bar afirmaram que o grupo fez “referências pejorativas à origem nordestina” dos funcionários. Em depoimento à imprensa, um dos garçons — que não se identificou — relatou que o termo foi usado repetidas vezes.
Ed Motta, em sua defesa, disse que estava bêbado e que seus amigos é que foram vítimas de ofensas homofóbicas e xenofóbicas. Ele também negou ter jogado a cadeira contra alguém.
Independentemente de quem começou a briga ou de quem acertou quem, o fato é que o episódio escancara algo mais grave: o preconceito contra nordestinos continua sendo banalizado. Chamar alguém de “paraíba” como ofensa é nos atingir também — é atingir nossa história, nossa luta, nossa gente.
Porque aqui, ser paraibano é motivo de orgulho. Lá, virou xingamento. E isso, sim, é uma polêmica que nos interessa.
