A pré-aliança entre o PT da Paraíba e a chapa governista liderada pelo governador Lucas Ribeiro (PP) começa a enfrentar resistências internas e ruídos cada vez mais visíveis dentro da militância petista. Segundo o jornalista Carlos Madeiro, do UOL, setores do partido demonstram desconforto principalmente com nomes ligados ao núcleo político da futura composição eleitoral.
O principal ponto de incômodo envolve o nome de Nabor Wanderley (Republicanos), pai do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, que disputará disputar uma das vagas ao Senado na chapa governista. Petistas avaliam que a presença de Nabor dificulta o discurso de alinhamento ideológico com o governo Lula, sobretudo por causa do posicionamento político do Republicanos em Brasília.
Outro fator que aumentou a temperatura dentro do PT foi a atuação recente da senadora Daniella Ribeiro (PP), mãe do governador Lucas Ribeiro. A parlamentar desagradou setores lulistas ao esconder o voto na sessão que rejeitou o nome de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal. O gesto foi interpretado por integrantes do PT como uma tentativa de evitar desgaste político, mas acabou ampliando a desconfiança da ala mais ideológica do partido.
Além disso, o deputado federal Aguinaldo Ribeiro (PP), tio do governador e principal articulador político da família, também entrou na mira dos petistas após votar pela derrubada do veto do presidente Lula no projeto da dosimetria. Nos bastidores, integrantes do PT avaliam que esses episódios expõem uma distância política entre o discurso nacional do partido e a realidade da composição local na Paraíba.
Apesar das críticas internas, a direção estadual petista já aprovou previamente a aliança com Lucas Ribeiro. O partido, no entanto, tenta garantir espaços estratégicos na futura chapa, incluindo a indicação do candidato a vice-governador, numa tentativa de equilibrar a relação e reduzir a resistência da própria base.