quinta-feira, 23 de abril de 2026
Pai critica, filho contemporiza: o jogo duplo dos Bezerra em torno de João Azevêdo
22/04/2026 13:20
Redação ON Reprodução

A cena política paraibana ganhou um roteiro quase didático nesta quarta-feira: enquanto o deputado estadual Hervázio Bezerra subiu à tribuna da Assembleia Legislativa para endurecer o discurso contra o ex-governador João Azevêdo, o prefeito de João Pessoa, Léo Bezerra, adotou um tom oposto, marcado por gratidão, cautela e portas abertas.

No plenário, Hervázio foi direto. Classificou como “grande vitória” o movimento do PT de se aproximar da gestão estadual, mas não poupou críticas às decisões de João Azevêdo. O veto às emendas impositivas foi citado como exemplo de insatisfação, numa fala que deixou claro o incômodo com a condução política do ex-governador. O deputado também trouxe à tona problemas administrativos, apontando atraso em obras e transtornos em áreas como o Bessa, em Cabedelo.

Do outro lado da praça política, o discurso foi outro. Léo Bezerra preferiu a diplomacia. Ao tratar da disputa ao Senado, reforçou que mantém uma relação de amizade com João Azevêdo e fez questão de registrar gratidão. Mais do que isso: deixou no ar a possibilidade de apoiá-lo como segunda opção na corrida senatorial, mesmo inserido no grupo político liderado por Cícero Lucena.

A estratégia do prefeito é clara: não romper pontes. Léo destacou que suas decisões não serão isoladas, mas construídas em diálogo com aliados, vereadores e até adversários. Sem pressa, sinalizou que o cenário ainda está em formação e que há espaço para composições. Ao falar de João, foi ainda mais cuidadoso, afirmando aguardar uma conversa direta com o ex-governador no momento oportuno.

O contraste entre pai e filho revela mais do que diferenças de estilo. Expõe uma divisão calculada dentro do mesmo núcleo político: enquanto Hervázio vocaliza o descontentamento e marca posição, Léo preserva canais e mantém margem de manobra. É o clássico movimento de bater e assoprar, aplicado com precisão no tabuleiro paraibano.

João Azevêdo, enfim, segue no centro do jogo, pressionado de um lado e cortejado de outro. E os Bezerra mostram que, na política, até dentro de casa é possível jogar em duas frentes ao mesmo tempo.

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