A conquista histórica de O Agente Secreto no Globo de Ouro, na noite deste domingo (11), teve muito mais sotaque nordestino do que se imaginava à primeira vista. O filme dirigido por Kleber Mendonça Filho e estrelado por Wagner Moura, que levou os prêmios de melhor filme em língua não inglesa e melhor ator em drama, também carrega uma marca profundamente paraibana em seu elenco de apoio.
Embora a trama seja ambientada no Recife dos anos 1970, a produção apostou forte na força da cena teatral e audiovisual da Paraíba. Em João Pessoa, Cajazeiras e Campina Grande, a vitória foi sentida quase como se fosse de casa, já que vários dos rostos que ajudaram a dar vida ao thriller político vêm dos palcos e sets paraibanos.
Entre os destaques está Buda Lira, um dos nomes mais respeitados do teatro e do cinema do estado, que interpreta o personagem Anísio. Com passagens por produções como Aquarius e Bacurau, Buda volta a integrar o universo de Kleber Mendonça Filho em mais um filme que entrou para a história. Outra presença de peso é Suzy Lopes, atriz de Cajazeiras com trajetória consolidada no cinema nacional, também conhecida por Bacurau, que reforça o elo entre o sertão paraibano e o cinema de prestígio internacional.
Cely Farias, além de atriz, atua como preparadora de elenco e aparece no filme como uma mulher em depoimento, ajudando a construir a densidade emocional de uma das sequências mais fortes da narrativa. Fafá Dantas vive a personagem Das Dores, enquanto Joálisson Cunha, um dos novos nomes da cena local, integra o elenco que dá corpo e autenticidade ao universo retratado.
O filme ainda conta com Beto Quirino, no papel de um guarda noturno, Flávio Melo como um pastor e Márcio de Paula, veterano da dramaturgia paraibana, completando o time que levou um pedaço da Paraíba para o centro da maior festa do cinema mundial.
No fim das contas, quando Wagner Moura subiu ao palco em Los Angeles e O Agente Secreto foi anunciado como vencedor, havia muito mais gente representada ali do que os créditos principais indicam. O Globo de Ouro também passou, simbolicamente, pelos teatros, escolas de arte e grupos de atores da Paraíba que ajudaram a construir, em silêncio e talento, um dos maiores triunfos do cinema brasileiro.