Escolher os melhores e os piores filmes de um ano é sempre um exercício subjetivo, mas também uma tradição que ajuda a organizar a memória cinematográfica do período. Em seu balanço de 2025, o Estadão ouviu 13 críticos e colaboradores de cultura, que indicaram cada um três melhores filmes e um pior lançamento exibido comercialmente no Brasil ao longo do ano.
A partir dessas listas individuais, é possível identificar um consenso claro sobre os títulos mais celebrados — e também sobre aqueles que mais decepcionaram.
O grande destaque do ano foi O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho. O filme apareceu em sete listas diferentes, sendo escolhido cinco vezes como o melhor de 2025. Os críticos ressaltaram a ambição estética da obra, a mistura de gêneros, a recriação do Recife dos anos 1970 e a forma como o longa dialoga com a memória política do país sem se limitar a um retrato convencional da ditadura. Também foi apontado como um raro exemplo de cinema autoral capaz de dialogar com o grande público.
Na segunda posição do ranking geral surge Uma Batalha Após a Outra, de Paul Thomas Anderson. O filme liderou duas listas e apareceu outras duas vezes em terceiro lugar. A produção foi destacada como um retorno vigoroso do cinema político hollywoodiano, combinando ação, tensão e reflexão ideológica em uma narrativa sobre família, poder e legado.
O terceiro lugar ficou com Luta de Classes, de Spike Lee, eleito o melhor do ano em duas listas. A releitura contemporânea inspirada em Kurosawa foi elogiada pelo ritmo, pela força visual e pela atuação de Denzel Washington, além da maneira como discute desigualdade social, consciência moral e cultura sem simplificações fáceis.
Outros filmes que apareceram com frequência entre os preferidos dos críticos, ainda que fora do pódio, foram Sorry, Baby, citado pela abordagem sensível e original da violência sexual e da amizade; Misericórdia, elogiado pela ousadia narrativa e pelo retrato das tensões sociais em uma pequena comunidade; e O Brutalista, apontado como uma experiência cinematográfica radical, longa e assumidamente adulta.
Já na escolha do pior filme de 2025, não houve consenso absoluto. A maioria dos títulos recebeu apenas um voto negativo, o que revela dispersão nas decepções do ano. Ainda assim, Emilia Pérez, de Jacques Audiard, foi o único filme citado mais de uma vez como o pior lançamento. As críticas se concentraram na execução considerada fraca, nas músicas pouco inspiradas, em escolhas estéticas questionáveis e em representações vistas como problemáticas, especialmente diante das grandes ambições do projeto.
O balanço final também reforça uma percepção recorrente entre os críticos: 2025 foi um ano especialmente forte para o cinema brasileiro, com presença constante nas listas de melhores, enquanto parte do cinema industrial de Hollywood apareceu com mais frequência entre as maiores frustrações.
No conjunto das avaliações, poucos filmes mobilizaram tanto entusiasmo quanto O Agente Secreto, que termina o ano consolidado como o título mais emblemático do cinema exibido no Brasil em 2025 segundo os críticos do Estadão.